segunda-feira, 23 de outubro de 2017

TRAGÉDIA ESPANHOLA

Esta sugestiva ilustração mostra-nos dois caças Polikarpov I-15 (de origem soviética e ostentando, aqui, as marcas da República Espanhola) perseguindo dois Junkers Ju-52 3m (de origem germânica e mostrando as insígnias da aviação dita nacionalista). Este combate mortal entre dois irreconciliáveis adversários, ocorreu -entre 1936 e 1939- no país vizinho. Essa luta sem quartel resultou na vitória dos rebeldes e na instauração de um regime autoritário e feroz, que durou até 1975, ano da morte de Francisco Franco Bahamonde, o general-ditador. A imagem revela, igualmente, o carácter internacional desse conflito mortífero e destruidor, que pôs a Espanha de pantanas. A intervenção dos já referidos Soviéticos e Alemães, mas também de Italianos, de Portugueses e de gente de muitas outras nacionalidades (sobretudo recrutada para as famosas Brigadas Internacionais) deu um ar de mundialização ao conflito e foi o prelúdio de uma guerra generalizada de ainda maior dimensão. Que, curiosamente (ou talvez não), começou na Europa, no próprio ano em que terminou a tragédia espanhola; na qual pereceram centenas de milhar de pessoas, militares e civis...

CINEMA NA 'LABUTES' DE OUTROS TEMPOS

Estes edifícios foram, durante muito tempo, as duas mais importante salas de cinema da cidade de Setúbal : o Casino Setubalense e o Grande Salão Recreio do Povo. Curiosamente, ficavam ambas situadas na Avenida Luída Todi, quase em frente uma da outra. Conheci esses cinemas (e frequentei-os) na segunda metade dos anos 50 do passado século, quando já se encontravam em preocupante estado de vetustez e proporcionavam à sua clientela um conforto duvidoso. Estavam especializadas, nesses já recuados tempos, na projecção de filmes de cariz popular, essencialmente fitas de aventuras e dramas com enredo ao alcance da compreensão do 'povão' (e, na minha boca, este termo não é pejorativo) que assiduamente as frequentava; e que era daqueles que manifestava ruidosamente os seus sentimentos em relação ao que via na pantalha. Apesar daqueles tempos serem difíceis, tenho muitas saudades deles. Pudera ! Eram tempos de juventude e despreocupação, para mim; que, com 13/14 anos de idade, ainda era incapaz de vislumbrar efeitos da política ditatorial nos rostos da gente que, comigo, partilhava a plateia (ou até a geral) dos ditos cinemas setubalenses. E que as aventuras esplanadas nos seus ecrãs, eram um derivativo para poderem esquecer as dificuldades da vida; que, bastas vezes, expressavam situações de pobreza franciscana. Não sei se as referidas casas de espectáculo ainda funcionam (acho que não), mas recordarei, para sempre, as horas de puro prazer que elas me proporcionaram...

domingo, 22 de outubro de 2017

O TARRO


Este recipiente, inteiramente fabricado com cortiça pelos camponeses do Alentejo, é o tarro; cujas características térmicas são excelentes e que foram comprovadas por séculos de uso. Infelizmente, estes objectos -nos quais se conservavam alimentos secos e molhados, já não têm utilização prática, pois foram substituídos por modernices coloridas, em plástico. Mas, também, porque já não fazem falta no campo. Onde acabou o trabalho escravo, de sol a sol, e as ceifas já não são o que foram. Agora, os tarros  são vendidos nas feiras de artesanato, como meras recordações de outros tempos, de outras vidas...

PUBLICIDADE DE OUTROS TEMPOS (6)



Eis aqui alguns cartazes publicitários promovendo serviços, artigos e/ou produtos nacionais. Algumas das marcas aqui referidas sobreviveram ao tempo e à concorrência estrangeira. Mas este 'post' apenas se preocupa com o lado artístico (ou curioso) de cada um desses 'reclames' (como então eram chamados) e com o facto dos mesmo poderem despertar recordações, quiçá adormecidas, na memória de algumas pessoas que por aqui vão passando... Nada mais do que isso.

PARIS DE FRANÇA


Este é o brasão de armas da cidade de Paris, capital da República Francesa. Que resumiremos assim, em linguagem não erudita, pois dessa percebem os heraldistas : o escudo apresenta as cores tradicionais da cidade -azul e vermelha- sendo que a primeira está semeada de flores de lis (ouro). Na parte inferior do dito está representada uma nave de prata, vogando sobre águas agitadas de mesma cor. Exterior do escudo : coroa mural (ouro) de cinco torres. Ramos (frutados) de carvalho e de louro. Em baixo, listel com a frase latina «Fluctuat Nec Mergitur», que se pode traduzir por 'sacudida (pelas ondas) mas não afunda', numa referência à nave, que aqui representa a cidade. Sob o listel figuram três condecoração concedidas à cidade : a Ordem da Libertação, a Legião de Honra e a Cruz de Guerra (1914-1918) com palma. Referimos, ainda, que as cores azul e vermelha são as de Paris desde a Idade Média. As flores de lis, símbolo da realeza, são apanágio de todas as 'boas cidades de França'; foram abolidas durante as épocas napoleónica e revolucionária e regressaram mais tarde aos brasões de grandes cidades. A nave e a divisa também são de origem antiquíssima e foram introduzidas no brasão há séculos; pertenceram, primitivamente, à importante corporação dos barqueiros do Sena, que teve, outrora, grande importância na vida económica e social de Paris.

HISTORIETA VERÍDICA


Em Portugal, a chamada dinastia Filipina foi constituída por três soberanos espanhóis, todos eles de nome Filipe. Que por cá reinaram de 1580 até 1640, ano da restauração da nossa independência e da ascensão ao trono de Portugal de D. João IV. Foram eles Filipe II (filho de Carlos V e de Isabel de Portugal) e os seus descendentes directos e sucessores Filipe III e Filipe IV. Figuras que, na nossa História, ficaram registadas, como é sabido, com os nomes de Filipe I, Filipe II e Filipe III. O que, talvez, muita gente não saiba é que o último dos Filipe que cingiu a coroa portuguesa (Filipe IV, ou III, como se preferir) era um homem algo vaidoso, que, em vida, escolheu ele próprio o cognome de «o Grande». Ora com a perda do trono de Portugal e do território nacional, o soberano ressentiu-se. Mas um dos seus cortesãos, o 7º duque de Medinaceli, don Luis Antonio de la Cerda y Dávila (1607-1671) teve esta extraordinária e bajuladora saída : «Passa-se com Sua Majestade o que se passa com os buracos, quanto mais terra perdem 'más grandes' são». Notas : a História de Espanha também chama ao derradeiro dos 'nossos' Filipes «o Rei Planeta». O retrato aqui anexado de Filipe IV/III é da autoria de Velásquez (que, curiosamente, era de ascendência portuguesa) e pertence às colecções da National Gallery, de Londres.

sábado, 21 de outubro de 2017

FOTOGRAFIAS COM HISTÓRIA (68)

Esta fotografia foi tirada em Junho de 1909 na costa noroeste da ilha das Flores, nos Açores; logo após o naufrágio do paquete britânico «Slavonia» (ocorrido no dia 10 desse mesmo mês e ano), que ostentava as cores da prestigiosa companhia Cunard Line. O navio em questão partira de Nova Iorque com destino a Trieste (porto do Adriático), transportando, a bordo, uma tripulação de 225 membros e 597 passageiros. A sua rota normal passava 160 km a norte da ilha do Corvo, mas foi modificada quando os passageiros de 1ª classe solicitaram insistentemente ao capitão do navio para que lhes fosse permitido avistar, de perto, algumas ilhas do arquipélago português. Tendo acedido a esse pedido, o capitão do «Slavonia» dirigiu-se para a ilha das Flores. Onde, devido à fraca visibilidade, provocada por espesso nevoeiro, o navio foi violentamente encalhar nos rochedos de Baixa Rasa. Os socorros foram solicitados rapidamente (parece que foi do «Slavonia» em perdição que foram emitidos os primeiros sinais SOS da História da Navegação) e permitiram a célere chegada ao lugar do desastre dos navios germânicos «Prinzess Irene» e «Batavia», assim como várias embarcações de pesca açorianas, que acabaram por resgatar, sã e salva, toda a gente. Quanto ao «Slavonia» (que foi o maior de todos os navios perdidos naquelas paragens) desapareceu completamente da paisagem, depois da acção dos homens e das forças naturais. Mas foi, apenas, mais um entre o milhar de navios que, ao que se diz, por ali -pelos Açores- naufragaram desde o século XVI.

(Se quiser informação mais detalhada sobre o «Slavonia» e o seu naufrágio, consulte o meu outro blogue ALERNAVIOS).