quinta-feira, 21 de setembro de 2017

BERLIM : PRIMEIROS DIAS DE MAIO DE 1945

Esta fotografia foi tirada nas ruas de uma Berlim devastada pelos bombardeamentos da aviação aliada e pela artilharia soviética. A cena decorre nos primeiros dias do mês de Maio de 1945 e por altura do suicídio (no seu 'bunker') do chanceler que quis subjugar o mundo. Na foto podem observar-se um carro de combate do Exército Vermelho (um dos muitos que conquistaram a capital da Alemanha e atiraram por terra as promessas de Hitler sobre o 'Reich dos Mil Anos') e vários repórteres de guerra acreditados junto das forças armadas da URSS. Passou-se isto há mais de 72 anos, mas é bom que esta recordação da vitória da coligação anti-nazi -que pôs termo, na Europa, ao maior drama da História da Humanidade- se mantenha viva na nossa memória. Nem que seja só para nos lembrar o alto preço a pagar pela guerra... Preço a pagar pelos povos, naturalmente, pois são eles as principais vítimas da loucura dos políticos.

O NOSSO MUNDO É BELO (138) : MALÁSIA

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

-APOGEU E QUEDA, OU APENAS UM INCIDENTE DE PERCURSO ?


Este altaneiro autocarro do Benfica tem quatro andares. Tantos quantos os campeonatos de futebol da 1ª Liga conquistados pelo clube nestes últimos anos. -Será que a indolência dos jogadores do actual plantel tem a ver com a perigosidade de colocar, em cima deste veículo, mais uma plataforma ? -Ou haverá outros constrangimentos (como o da obrigatoriedade de nele instalar um elevador) para podermos subir aos lugares cimeiros da tabela ? Os benfiquistas não sabem... Nem entendem lá muito bem, porque razão a máquina encarnada emperrou subitamente. Talvez um dia alguém nos explique isso...

COMERES DO ALENTEJO


A cozinha alentejana -simples, sápida e generosa- é um dos grandes cartazes turísticos de uma região que só há pouco despertou para essa actividade de receber e proporcionar prazer a quem nos visita. E, para enaltecer essa gastronomia portuguesa, tão genuína e tão particular, celebram-se, ao longo do ano, encontros, festas e festivais que a colocam em relevo; quer dizer no sítio certo. Isso, sem contar, com o esforço de certos profissionais da restauração, que, em toda a nossa região (que se estende da margem esquerda do Tejo até aos contrafortes das serras algarvias), dão o seu melhor para -todos os dias- fazerem a cabal demonstração de como é possível conciliar autenticidade com modernidade.

EPISÓDIOS DA HISTÓRIA DO CINEMA : EVOCANDO «TEMPOS MODERNOS», A ÚLTIMA FITA DE CHARLOT

O mundo encontrava-se ainda fortemente abalado pelo terrível 'crash' bolseiro de 1929, quando Charlie Chaplin -extremamente chocado pelo desemprego e pela miséria engendrados pela crise económica- decidiu realizar o seu sétimo filme de longa metragem. Nessa altura, esse génio do espectáculo cinematográfico não podia sequer imaginar que «Tempos Modernos», a fita em questão, se tornaria no seu mais controverso trabalho e que a reflexão social veiculada por essa sua obra acabaria por levá.lo, alguns anos mais tarde, diante da famigerada Comissão de Actividades Anti-Americanas, presidida pelo senador fascista Joseph McCarthy.
A rodagem de «Tempos Modernos» (que, lembramos, foi o último filme mudo de Chaplim e a derradeira fita em que apareceu a imortal figura de Charlot) teve início em Setembro de 1935 e durou quatro meses. A película foi estreada oficialmente a 5 de Fevereiro de 1936 no Rivoli Theatre de Nova Iorque, sendo -logo após essa sua primeira projecção- vilipendiada pela imprensa nacional, nomeadamente e com particular virulência pelos jornais e outras publicações do grupo Hearst, que acusaram o seu autor e principal intérprete de ser 'bolchevique' e 'um inimigo declarado dos grandes empresários e da polícia' dos Estados Unidos.
Negativamente influenciado pelas múltiplas e arrasadoras críticas de que o filme foi alvo, o público norte-americano não reservou a «Tempos Modernos» o sucesso popular que este inolvidável filme merecia. Indubitavelmente ! Assim, as receitas de bilheteira foram, nos 'states', medíocres, em consequência do verdadeiro trabalho de sapa levado a cabo pelos jornais hostis a Chaplin.
Na Europa as coisas passaram-se de maneira diferente. Se na Alemanha hitleriana um interdito de exibição foi pura e simplesmente decretado e proclamado pelo sinistro Dr. Goebbels, ministro da propaganda do regime nazi, já os críticos de cinema de Inglaterra, de França e das outras nações democráticas do nosso continente acolheram entusiasticamente esta nova película do 'Eterno Vagabundo'. Película que não hesitaram qualificar de obra-prima e qualificar como um grande momento de cinema. Quanto ao público, no seu geral, esse riu e sorriu com os impagáveis apartes de Charlot, enquanto os cinéfilos mais esclarecidos viram em «Tempos Modernos» (filme hoje reconhecido, unânime e universalmente, como sendo uma das obras mais importantes da História da 7ª Arte) a denúncia clara, necessária e inadiável da desumanização do trabalho fabril.
Diga-se, a título de curiosidade e para finalizar estas modestas linhas, que Charlie Chaplin encarou o insucesso desta sua película, nos EUA, como um fracasso imerecido e as demolidoras e malévolas acusações da imprensa ianque como uma ofensa pessoal. Nessas circunstâncias, não é de admirar que, muito antes da sua dramática saída do país (nas condições que todos conhecemos e que já fazem, também elas, parte da atribulada História do Cinema, mas não só), o inexcedível artista britânico tenha manifestado o desejo de abandonar definitivamente território da América do norte. Foi, aliás, por essa época (1936) que o genial criador de Charlot empreendeu uma longa viagem pelo Extremo Oriente na companhia de Paulette Goddard, actriz com a qual Chaplin contraiu um matrimónio secreto, aquando de uma escala no porto chinês de Cantão

(M.M.S.).

AS MINHAS CRÓNICAS (8)

«O PRIMEIRO COMBATE ENTRE NAVIOS COURAÇADOS MODERNOS». Tal é o título desta crónica escrita há mais de 10 anos, mas que -por falta de publicação adequada à introdução deste tema- se manteve inédita. Até hoje.

Em 9 de Março de 1862, teve lugar no estuário do rio James, perto da localidade de Hampton Roads (na Virgínia, EUA), um acontecimento que podemos muito bem considerar como o primeiro episódio da guerra naval moderna. Um combate memorável, no qual participaram dois inovadores navios couraçados : o «Monitor», da marinha federal norte-americana e o «Virginia» (ou «Merrimac», nome pelo qual também é conhecido), uma unidade pertencente à armada da efémera Confederação dos Estados do Sul.
Antes de nos lançarmos no relato deste histórico evento, talvez seja conveniente abrir aqui um parêntese para situar, rapidamente, de maneira sucinta, o contexto em que se inscreveu esse novo capítulo da guerra naval. Vejamos então : em inícios da década de 60 do século XIX, algumas regiões do sul dos Estados Unidos decidiram separar-se politicamente do resto do país fundado por George Washington e seus pares. Refira-se que os 'pais' da constituição norte-americana haviam tomado em consideração esse direito e que a eventualidade de um ou mais estados poderem abandonar a União estava devidamente consignada e garantida no documento fundamental da nação. Apesar disso, o antagonismo político entre o Sul (cuja economia era essencialmente agrícola e se apoiava na exploração, em larga escala, de mão-de-obra escrava) e o Norte (industrial e abolicionista) sobrepôs-se à legalidade e foi-se agravando progressivamente, até se transformar num renhido conflito armado, que eclodiu, oficialmente, no dia 12 de Abril de 1861.
A partir daí, as forças fiéis ao governo federal começaram por impor um severo bloqueio naval aos portos sulistas, de modo a estrangular a economia dos rebeldes (termo pelo qual eram, geralmente, designados os secessionistas), que assentava na exportação -principalmente para a Europa- da sua produção de algodão e de tabaco e na importação de produtos manufacturados e de bens de consumo corrente provenientes do Velho Continente, nomeadamente de Inglaterra e de França.
Prosseguindo o fio da História, cumpre-nos agora referir que foi, pois, para tentar 'furar' esse bloqueio naval, que a asfixiava, que a Confederação dos Estados do Sul resolveu equipar a sua marinha de guerra com um navio capaz de resistir ao fogo mortífero da frota inimiga e que, ao mesmo tempo, lhe pudesse causar baixas irreparáveis e abrir brechas no apertado cerco que os nortistas impunham aos seus portos; situados na costa atlântica e no golfo do México. Nesse transe, os engenheiros navais confederados procederam, em grande segredo, à conversão de uma das suas velhas fragatas, a CSS «Virginia». Depois de lhe terem arrancado os mastros e suprimido o respectivo velame, os sulistas dotaram-na de uma superestrutura  que, vista de flanco, apresentava uma forma trapezoidal. Fortemente blindada, já que a dita superestrutura fora inteiramente revestida por compactas placas de aço, o renovado navio era propulsionado por uma máquina a vapor e impressionava, igualmente, pelo facto de estar eriçado de peças de artilharia de forte calibre.
Colocado sob o comando do capitão Franklin Buchanan, um oficial reputado pelo sua competencia (adquirida, outrora, a bordo dos navios da União), o poderoso couraçado da Confederação teve o seu baptismo de fogo no dia 8 de Março de 1862. Nesse dia, nas águas da vasta baía de Chesapeake, o «Virginia» atacou, sucessivamente, três vasos de guerra da marinha unionista -as fragatas «Minnesotta», «Cumberland» e «Congress»- afundando-os sem remissão. Segundo o testemunho de alguns membros das guarnições desses navios nortistas, que conseguiram escapar ilesos à chacina provocada pela intervenção do formidável couraçado da armada confederada, os projécteis disparados pelos artilheiros das suas fragatas escorregavam, literalmente, pelos flancos inclinados e chapeados do «Merrimac» (o outro nome atribuído ao navio «Virginia», como já acima referimos), perdendo, assim, toda a sua eficácia.
Esta vitória estrondosa dos sulistas não teve, porém, continuidade. Constituiu um caso isolado nesse conflito fratricida, nessa guerra civil atroz, que foi o afrontamento entre estados. É que, em Washington, o Ministério da Guerra tomara, atempadamente, conhecimento (graças a informações detalhadas comunicadas pelos seus espiões) da realização do temível navio inimigo. E, prudentemente, encomendara, também ele, a construção de um navio blindado, embora com com características próprias. Esse navio couraçado nortista, que haveria de receber o nome de «Monitor», fora concebido (a troco de 275 000 dólares) por um certo John Ericsson, um engenhoso emigrante de origem sueca.
Construído em apenas 100 dias, -nos estaleiros navais de Greenpoint, Nova Iorque- o «Monitor» nada tinha de comum, à excepção da blindagem, com o seu perigoso rival sulista. De menores dimensões, e por essa razão menos impressionante do que o vaso de guerra dos adversários, o novo navio dos federais era constituído por uma plataforma oblonga, quase submersa, da qual sobressaía uma torreta móvel e de forma cilíndrica, da qual afloravam dois poderosos canhões de 11 polegadas. O «Monitor» estava equipado com uma máquina a vapor, que, para além da propulsão, também fornecia a energia necessária à movimentação giratória da torreta. O comando do «Monitor» foi confiado ao tenente John Worden, que recebeu ordens da sua hierarquia para afrontar o inimigo logo que a ocasião se apresentasse.
Curiosamente, essa oportunidade surgiu muito rapidamente e o inevitável embate entre os dois monstros de aço ocorreu horas depois da espectacular vitória obtida pelo «Virginia»/«Merrimac», na baía de Chesapeake, contra as supracitadas fragatas dos nortistas. Esse autêntico choque de titãs teve, com efeito, lugar no dia seguinte -a 9 de Março de 1862- nas águas barrentas do estuário do rio James. Mas passemos, agora, a relatar o que realmente aconteceu nesse memorável dia : depois de terem estabelecido contacto visual, os dois navios lançaram-se, resolutamente, ao encontro um do outro. E, assim que a distância o permitiu, os novos couraçados começaram a alvejar-se mutuamente, tentando, ao mesmo tempo e mercê das hábeis manobras dos respectivos timoneiros, encontrar a posição mais adequada para alvejar os pontos vulneráveis do adversário. Embora a luta parecesse desigual, já que o «Merrimac» era três vezes maior do que o seu rival e estava superiormente armado (com 10 bocas de fogo), a verdade é que o «Monitor» compensava essa aparente desvantagem com a sua melhor capacidade de manobra e com o facto do seu comandante saber tirar proveito de uma silhueta baixa e, por consequência, menos exposta aos tiros do inimigo.
O combate desenrolou-se durante três longas horas (quatro, segundo certas fontes), sem que, depois de terminado, se tenha podido atribuir a vitória a um dos navios intervenientes nessa luta. Foi, pois, um combate sem triunfador nem vencido. Os estrategas da guerra naval, que analisaram minuciosamente todas as fases deste primeiro confronto entre couraçados, acharam que a marinha militar tiraria, no futuro, vantagens em equipar-se com navios dotados do binómio tecnológico vapor-hélice (comum aos dois navios) e armados com reparos móveis de artilharia, idênticos àquele que equipava o «Monitor».
Diga-se agora, para satisfazer a natural curiosidade de quem nos lê e que, eventualmente, se possa interessar pela temática naval, que o «Monitor» naufragou a sul do cabo Hatteras, no dia 31 de Dezembro de 1862, durante uma tempestade. E que fez parte de uma classe de navios que compreendeu mais duas unidade em tudo idênticas, que foram baptizadas, respectivamente, com os nomes de «Galena» e de «New Ironsides».
E, para concluir estas linhas, talvez seja interessante sublinhar (embora isso já seja outra história) que : a Guerra Civil -também chamada guerra da Secessão Sulista-  terminou no dia 9 de Abril de 1865, com a rendição incondicional, em Appomatox, do  general Robert Lee, comandante-chefe das tropas confederadas; que, na verdade e apesar do que aqui deixámos escrito, a marinha dos dois antagonistas não representou, nesse conflito, um papel relevante, pois as grandes e decisivas batalhas da Guerra Civil foram travadas pelos exércitos em terra; que na guerra em causa morreram, segundo fontes obviamente contraditórias, entre 600 000 e 1 000 000 de pessoas; que o referido conflito terminou com o retorno forçado à União dos estados dissidentes, facto que contrariava -como já foi dito- a letra da constituição dos Estados Unidos da América; que o presidente Abraão Lincoln (que foi assassinado cinco dias depois de consumada a vitória dos seus exércitos, por um fanático da causa confederada) afirmou publicamente que a abolição da escravatura (ainda hoje apontada, por alguns, como tendo sido a causa principal da eclosão deste conflito) foi apenas um pretexto secundário nesta guerra. E que aquilo que o motivou verdadeiramente, a ele Lincoln, na sua encarniçada luta contra os confederados foi a intransigente defesa da União e a reintegração na dita, dos estados secessionistas do Sul.

(M. M. S.).

terça-feira, 19 de setembro de 2017

DUARTE DE ARMAS E OS SEUS DESENHOS

Duarte de Armas (que viveu nos séculos XV e XVI) foi escudeiro de el-rei D. Manuel I (o 'Venturoso') e mereceu um lugar na nossa História, graças aos notáveis desenhos de castelos e vilas da nossa raia seca, que ele inseriu no seu famoso «Livro das Fortalezas»; uma obra inestimável que teve (em 1509) duas versões : uma com desenhos menos apurados, mais esquemáticos -conservada na Biblioteca Nacional de Madrid- e outra, de maior interesse artístico, que, hoje, se encontra na Torre do Tombo. Esta última edição contém desenhos e plantas de 57 fortificações (castelos, torres de defesa. etc.) e de vilas fronteiriças e suas defesas. Há também quem atribua a Duarte d'Armas (como, por vezes, também se ortografa o seu nome) a vista de Évora que se pode admirar no foral novo dessa cidade do Alto Alentejo e que apresenta a data de 1501.



Estas imagens do famoso livro de Duarte de Armas representam, de cima para baixo, os castelos e povoações de Chaves (2), Mértola (3), Sintra (4) e Olivença (5). A ilustração de topo é uma edição contemporânea do «Livro das Fortalezas», com prefácio de Manuel da Silva Castelo Branco.