sexta-feira, 21 de julho de 2017

FILATELIA E HISTÓRIA DA DIPLOMACIA

Estes três vistosos selos dos correios da Tailândia foram emitidos em 2011 e comemoram os 500 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e esse longínquo país do Extremo-Oriente; que, então, se chamava reino do Sião. Esta é a prova provada da primazia dos Portugueses nos confins da Ásia. Que só se abriria ao contacto e ao comércio com outras nações europeias um século mais tarde.

NECROLOGIA


O mundo das letras e da arte cénica perdeu, em França, em apenas 3 dias, duas das suas figuras mais emblemáticas : Max Gallo, romancista e historiador, membro da Academia Francesa -com mais de uma centena de obras publicadas- faleceu no passado dia 18 de Julho, com 85 anos de idade; Claude Rich, inolvidável actor de teatro e de cinema, deixou-nos ontem, dia 20 de Julho, depois de ter vivido 88 anos. Ambos transmitiram ao povo de França um precioso legado. Aqui fica a nossa homenagem a um e a outro.

COISAS QUE A GENTE VÊ NA TV

Eu sou uma daquelas pessoas que considera ('à tort ou à raison') que os canais portugueses de televisão são de uma grande mediocridade, que não valem grande coisa. Porque se deixaram enfeudar pelas telenovelas, pelo falatório sobre futebol e pela política politiqueira; que preenchem horas infindáveis de programação com conversa estéril, com conversa da treta, sem o mínimo interesse. Embora, reconheça, que isso acontece porque «é o que o povo deseja» e é, portanto, o que dá lucro. Isto dito com toda a franqueza, também tenho de reconhecer que, em certas ocasiões, fico surpreendido com aquilo que os portugueses sabem fazer na matéria. Que pode ser muito bom e digno de ser vendido a qualquer canal estrangeiro que priviligie a transmissão da cultura. Vem isto a propósito de, esta semana, ter visto dois documentários -na RTP2- que me maravilharam e me entusiasmaram : um deles faz parte daquela sempre excelente série que é «Visita Guiada» -brilhantemente apresentada por Paula Moura Pinheiro- que nos convidou a admirar o espólio (de dupla vertente) que é o Museu do Caramulo. Emissão que me convenceu a, quando e se for possível, dar uma volta por aquelas bandas, para poder admirar -de visu- aquelas maravilhas reunidas por dois coleccionadores particulares. O outro documentário, da autoria de Gonçalo Cadilhe (que também o produziu e realizou), intitula-se «Nas Ilhas das Especiarias» e ofereceu, a quem o quis ver, uma fabulosa viagem ao Oriente, às Molucas, na esteira dos navios portugueses do século XVI, que visitaram aquelas longínquas paragens, onde buscavam cravinho e noz moscadas, duas cobiçadas especiarias; que, na Europa do tempo, se vendiam a preço de ouro. Trabalho excelente, também este, que coloca o seu autor e a TV nacional no topo do melhor se pode fazer em televisão. Portanto quando eu digo que não gosto do que se faz na TV, falo na generalidade, Porque há excepções e boas surpresas. Como estas e como algumas outras. Que, a seu tempo e como merecem, eu aqui realçarei.



Paula Moura Pinheiro e Gonçalo Cadilhe são, indubitavelmente, duas figuras da TV que -na RTP2- nos proporcionam programação de grande qualidade. Pena é que as suas emissões não sejam copiadas pelos restantes canais; que deviam preocupar-se em oferecer outra coisa aos seus seguidores do que a estafada trilogia 'bola, política e telenovelas'. Enfim, é esta a minha opinião...

APETECIDA (E CADA VEZ MAIS RARA) SARDINHA

O Conselho Internacional para a Exploração do Mar advertiu a Comunidade Europeia sobre a drástica redução das reservas de sardinhas no Atlântico. Isso, devido à prática da pesca intensiva, que é, sobretudo, praticada ao largo das suas costas pelas nações ibéricas. E aconselha Portugal (e os outros captores) a interromper a sua actividade nesse sector -durante um período de 15 anos- para que se volte aos 'stoks' de 1993. A 'coisa' está, naturalmente, a provocar grande alarido no nosso país, onde não há festa nem festinha de Verão em que não se devorem toneladas e toneladas destes clupeídos. E a cuja família também pertencem os arenques e as savelhas, tão desprezados por cá. Aliás a relação dos Portugueses com as sardinhas é uma história de amor de longa data, que também teve um ciclo intenso, nos tempos áureos da nossa indústria conserveira; que privilegiou (a par do atum) o enlatamento destes peixinhos. Ora, como o conselho dado (apoiado pela C. E.) não é vinculativo, as nossas autoridades farão o que muito bem entenderem, desde que respeitem as quotas. Veremos se o bom senso vai prevalecer ou se se irá praticar uma política de pilhagem, que privará os nossos netos e bisnetos de viverem a convivial experiência das sardinhadas e do copo de vinho... Outra coisa : segundo o INE (Institudo Nacional de Estatística), a pesca da sardinha deu, em 2016, trabalho a menos de 2 000 pessoas no nosso país, mas gerou benefícios de 28 milhões de euros. Ora, como nós todos sabemos que não foram os pescadores e respectivas famílias que lucraram com esses milhões, é fácil acredidat haver um 'lobby' que faça finca pé para que o regabofe continue. Até ao fim (definitivo) da macacada e... da tradicional sardinha assada (com ou sem pimentos) e da petinga frita de escabeche (com ou sem arroz de feijão).

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O NOSSO MUNDO É BELO (123) : REINO UNIDO

VEÍCULO PIONEIRO

Lembro-me de -há  mais de meio século, quando era adolescente- ter visto actuar as equipas do Benfica nos pelados do Barreiro : o Campo D. Manuel de Mello e o Campo de Santa Bárbata, 'salas de recepção' dos clubes da terra, que, então, militavam na 1ª Divisão Nacional de Futebol. Assim como me recordo de ter visto por lá passar todos os outros clubes do tempo; grandes e pequenos. Naquele tempo, ainda não existiam pontes lançadas sobre o estuário do Tejo e estou seguro de que os encarnados -que se deslocavam à Outra Banda de autocarro- utilizavam a ponte de Vila Franca para chegar ao Barreiro. Fazendo, assim, um percurso de muitas dezenas de quilómetros, quando, a 'voo de pássaro', os supracitados campos se encontravam a uns escassos 7 000 metros de distância da capital. Também me recordo muito bem do autocarro do clube da Luz, que, era, nesse tempo, um impressionante veículo de marca Somua, comprado pelo clube para poupar despesas de deslocação da equipa. Esse tal autocarro, estacionava (nos dias de jogos no Barreiro) numa das ruas da então vila, pertinho dos recintos desportivos, onde fazia a admiração da petizada e até dos adultos; porque era um equipamento que, estou certo disso, era único em Portugal. Os outros clubes recorriam -naqueles já longínquos anos 50- a autocarros alugados. O 'carro' privativo do Sport Lisboa e Benfica havia pertencido aos famosos Companheiros da Alegria (dirigidos por Igrejas Caeiro), uma trupe de artistas de variedades itinerante, que, por razões que não vale a pena evocar aqui e agora, o vendeu ao clube lisboeta. Em recordação desse tempo, aqui deixo umas fotografias do antepassado dos recentes 'vermelhões'. Estas fotos foram encontradas em vários sítios da Internet afectos ao Benfica.

UM PORTO DE FRANÇA (VISTO POR UM MESTRE DA PINTURA OITOCENTISTA) E OS 'PORTOS' FEITOS A MARTELO

Esta bonita tela (da autoria de Camille Pissarro, um artista com raízes portuguesas) mostra um navio em manobras de carregameneto/descarregamento no porto francês de Ruão (Rouen). Foi pintada em 1898. Repare-se nos barris que se acumulam no cais e que atestam que aquela cidade normanda foi grande importadora de vinhos; nomeadamente oriundos de Portugal. Curiosidade : lembro-me, por lá ter vivido, que, em inícios de 1965, ainda se exportavam para ali grandes quantidades de vinho do Porto. Nesse tempo essas vendas ainda se faziam em barris sem o selo de origem. Desse modo, o nosso vinho generoso do vale do Douro era 'baptizado' com quantidade não-negligenciável de vinhos franceses (mas não só), sendo -para grande prejuízo da nossa economia e dos consumidores gauleses- considerado um 'negócio da China' para os importadores. Recordo-me que, nesses tempos, também por lá se ingeria uma mistela proveniente de Espanha e abusivamente denominada 'vino de Oporto'; que era de cor mais escura do que o verdadeiro e horrivelmente açucarada. O Instituto do Vinho do Porto acabaria por terminar com esses abusos, ao passar, mais tarde, a exportar os nossos néctares exclusivamente em garrafas portadores do selo que lhes certificava a origem. Ainda a propósito de Pissarro, refira-se que ele foi amigo de muitas celebridades do seu tempo, sobretudo ligadas ao mundo das artes, de entre as quais se podem destacar os pintores Cézanne, Monet e Daubigny. Este grande artista plástico luso-francês -considerado um dos co-fundadores da escola impressionista- nasceu nas Antilhas em 1830. (seu pai era um cripto-judeu de Bragança) e faleceu em 1903. Foi a enterrar em Paris, no famoso cemitério do Père Lachaise.



Estes vinhos do Porto são genuínos e dos (muito) bons. Nada têm, pois, a ver o vinho 'martelado' a que acima nos referimos.