sexta-feira, 18 de agosto de 2017

ARTUR DA SILVA QUARESMA, ÍDOLO BELENENSE


Artur Quaresma foi um dos grandes futebolistas portugueses das décadas de 30 e 40. Nasceu no Barreiro em 1917 e foi nessa vila -hoje cidade- que deu os primeiros passos na modalidade desportiva que escolheu praticar. O seu primeiro clube foi o F. C. Barreirense, que, ao tempo, militava na 2ª divisão. Deixou os alvi-rubros em 1936, para se transferir para Os Belenenses, que eram, então, um dos 'Grandes' de Lisboa e do campeonato nacional da divisão maior. Quaresma já estava, pois, nessa prestimosa agremiação do bairro do Restelo, quando a dita conquistou o título de Campeão Nacional, em 1946. Pelos azuis, Quaresma disputou 154 jogos oficiais, durante os quais marcou 71 golos. Também fez uma passagem pela selecção A, tendo participado em 5 desafios internacionais. Foi-me dito por alguém que ainda o viu jogar futebol, que era um atleta muito habilidoso e de grande humildade; que chegou -naqueles tempos difíceis- a desempenhar a profissão de electricista simultaneamente com a prática de futebolista de alto nível. Artur da Silva Quaresma -que era tio-avô do internacional Ricardo Quaresma- faleceu na sua terra-natal em 2 de Dezembro de 2011 (com a idade de 94 anos) e foi a enterrar no cemitério de Vila Chã. Aqui fica a minha homenagem a esta saudosa estrela do desporto-rei.

MOSQUETEIRO


Este mosqueteiro (aqui representado num selo dos correios britânicos) combateu na Guerra Civil; que, em Inglaterra, durou entre 1642 e 1651. Foi uma guerra fratricida, que pôs frente a frente o exército do rei absolutista Carlos I e as forças fiéis ao Parlamento, chefiadas por Oliver Cromwell. Nesse tempo, meados do século XVII, o Parlamento exercia apenas um papel de aconselhamento, não tinha poderes executivos. Com a morte do supracitado soberano -que foi julgado, condenado à morte por alta traição e decapitado em Londres, no dia 30 de Janeiro de 1649- essa câmara passou a governar o Reino, através da pessoa do 1º Ministro; exercendo o rei apenas as funções que, ainda hoje, cabem à actual soberana. A república cromwelliana durou até 1660, ano em que foi restaurada a monarquia e colocado no trono Carlos II, filho do rei executado. Os mosqueteiros bateram-se nos dois campos. Na ilustração inferior podem ver-se mais dois destes prestigiosos soldados de infantaria com as respectivas armas e apetrechos.

MARUJINHA


Betty Boop : olhos radiosos de turmalina e pose provocante... Como sempre !

TERROR NAS RAMBLAS

O terrorismo dos ultra-religiosos cometeu, ontem, nas Ramblas (a artéria mais frequentada do centro de Barcelona) mais um mortífero atentado. O oitavo do mesmo género (realizado com o auxílio de um camião, que -cobardemente- atropela descuidados transeuntes) ocorrido na Europa, desde o início deste ano. Ontem, os terroristas mataram 13 pessoas inocentes e atiraram para as camas dos hospitais da Cidade Condal um centena de feridos. É este o número (referido pelos meios de comunicação) das vítimas de tão ignóbil acto. Que só pode gerar ondas de indignação contra os mandantes e os executantes de crimes desta natureza. Gente que só pode ser doente e/ou com índices de inteligência muito abaixo das do cidadão ordinário. Mas a recrudescência destes actos insensatos, também pode ser resultado do E.I. estar 'a levar na corneta' nas regiões do Próximo-Oriente, onde pensou instaurar duravelmente o tal Califado, de onde partiria à conquista do mundo. Em função da reacção particularmente rápida da polícia catalã, parece-me que as autoridades europeias estão atentas às movimentações dos bandidos e a tentar tomar medidas que previnam estas horríveis matanças. E, embora isso se faça com alguns custos para a liberdade (individual e colectiva) dos cidadãos, convém dizer que é esse o preço a pagar para continuarmos a viver na região do mundo mais segura e mais livre do planeta; apesar das suas insuficiências, das suas injustiças. Enfim, tudo tem os seus inconvenientes... E agora há que assumi-los.

LIVRARIA BERTRAND, FUNDADA NO ANNO DE 1732

Era muito pequeno e já não me lembro muito bem da época em que, pelo mão de meu pai, entrei pela primeira vez na Livraria Bertrand. Universo, que logo me deixou maravilhado; pois sou leitor e 'consumidor' de livros desde os tempos da minha tenra infância,  quando, para saciar a minha sede de leitura (que se manifestou precocemente), não perdia um número da Colecção Tonecas... Da qual, cada exemplar custava 4 tostões. É evidente que, quando falo da Livraria Bertrand, me estou a referir ao seu estabelecimento da Rua Garrett. Daquela velhinha loja que foi fundada -por livreiros franceses- no longínquo ano de 1732. O que lhe valeu o título de uma 'das mais antigas livrarias do mundo'. O que é obra ! Ainda hoje, nas minhas raras visitas a Lisboa, não consigo vencer o instinto que me conduz certeiramente ao Chiado e me leva a franquear as portas da Bertrand. Mesmo que, devido à crise, que gera falta de dinheiro, eu não compre lá nada. Agora só olho (com uma mescla de curiosidade e inveja) as capas das maravilhas que por lá se expõem e... vendem aos ricos. Porque, como é sabido, os livros são caríssimos em Portugal e só são acessíveis a quem tem um ordenado de deputado ou uma reforma de senhor ministro. Mas, enfim, apesar disso, continuo a entrar naquele venerável edifício de esquina, como quem cumpre um ritual. Não mais, porém e para minha grande mágoa, do que uma ou duas vezes por ano...


As minhas primeiras leituras...

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

CRIME (SALVO SEJA) E CASTIGO

Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, quiçá o mais conhecido português do seu tempo, estima-se vítima de uma cabala; por causa daquela história de impostos reclamados pelo fisco espanhol e também pelo facto de ter sido, no decorrer do seu último jogo contra o F.C. Barcelona, expulso e posteriormente castigado com cinco jogos. Eu não tenho absolutamente nada contra este fabuloso futebolista funchalense, que eu creio não ter voluntariamente fugido ao pagamento de impostos (mas há aqui um assunto que ele tem de esclarecer com as finanças do país vizinho, às quais, estou certo disso, ele poderá apresentar, com calma, as suas razões), nem simulado um penalty no 'match' contra os rivais catalães. Basta ver as imagens da TV, para nos darmos conta de que não houve batota. Mas os árbitros (sejam eles espanhóis ou não) também se enganam e o «melhor jogador do mundo» não sairia diminuído se (por causa desse erro) ficasse impossibilitado de jogar contra o próximo adversário do Real Madrid. O agravamento do castigo ficou estritamente a dever-se ao facto de Cristiano se ter precipitado e ter empurrado o juiz de campo. Nessas circunstâncias, e CR7 sabe-lo, não havia maneira de safar-se ao pesado castigo infligido pela máxima instância do futebol castelhano. Acho, pois, que não foi por Cristiano «ser quem é», que agora se deve sentir injustiçado. É bom que os profissionais de futebol entendam -uma vez por todas- que as regras são para cumprir. Eu sei que um jogo de máxima tensão, como o é sempre o grande clássico da liga espanhola, arrasa os nervos de qualquer dos actores; mas eles têm de controlar os nervos ou... de assumir os erros cometidos e não se admirarem de castigos recebidos e plenamente justificados. Porque o jogo tem leis, que devem ser imperativamente cumpridas. É tudo. Isto dito, eu penso que Cristiano Ronaldo é um moço inteligente e de boa fé e que, acalmados os ânimos, ele até será capaz de reconhecer que falhou. E se o fizer, tal gesto só lhe ficará bem. Quanto ao título deste 'post', quero precisar que quis, apenas, fazer uma brincadeira com o de um romance de Dostoievski. Naturalmente !

NOS TEMPOS DA MARINHA À VELA...

A imagem de topo mostra o gigantesco veleiro «Preussen» (uma galera de 5 mastros), que pertenceu ao famoso armador alemão F. Laeisz. O tal que geria uma frota de navios, cujos nomes começavam, todos, pela letra P. A pintura que aqui representa o «Preussen» foi executada pelo artista francês Roger Chapelet (pintor oficial da marinha gaulesa), que também deixou traços da sua arte no nosso país; onde pintou, entre outros veleiros, a barca «Sagres». Visita frequente dos portos chilenos, onde ia carregar guano, o «Preussen» (que podia navegar à velocidade máxima de 18,5 nós) perdeu-se no canal da Mancha, em 1910, depois de ter sido abalroado por um navio a vapor. O veleiro germânico ainda chegou a ser socorrido por um rebocador inglês e encaminhado para o porto de Dover; mas uma violenta tempestade rompeu as amarras que ligavam as duas embarcações... Ficando à deriva, o «Preussen» foi, depois, assaltado por violenta tempestade, que lhe causou avarias irreparáveis e o afundou. A fotografia (em baixo) mostra o navio nos tempos áureos em que fazia a ligação Europa-América do Sul pela perigosa rota do cabo Horn.