domingo, 17 de abril de 2016

PÁGINAS ESQUECIDAS DA NOSSA HISTÓRIA

A cidade do Porto foi palco -em 1757- de duas revoltas contra a Companhia Geral de Agricultura e das Vinhas do Alto Douro, fundada no ano precedente pelo futuro marquês de Pombal. O desagrado popular ficou a dever-se à política monopolista da referida empresa e envolveu exportadores de vinho do Porto (inclusivamente ingleses) e muitos comerciantes e artesãos da cidade, nomeadamente taberneiros, tanoeiros e armazenistas. Talvez pelo facto dos tasqueiros serem os mais numerosos e ruidosos dos contestatários, foi dado a esse movimento de protesto o nome de Motim dos Taberneiros. Durante as manifestações de 23 de Fevereiro de 1757, as autoridades locais foram incomodadas e achincalhadas e as casas de dois dos representantes, no Porto, da supracitada companhia foram vandalizadas pelos amotinados. Quando a notícia chegou a Lisboa, el-rei D. José mandou abrir uma devassa conduzida por João Pacheco Pereira de Vasconcelos e exigiu a este último o envio de um relatório detalhado dos acontecimentos. Mas quando o enviado régio chegou ao Porto, rebentou um segundo motim (ocorrido a 15 de Março), que envenenou ainda mais as relações entre os revoltosos e o poder central; que mandou proceder à ocupação militar da cidade por regimentos oriundos do Minho, de Trás-os-Montes e das Beiras. Do inquérito então feito para apurar responsabilidades, foram acusadas 462 pessoas. 26 delas (21 homens e 5 mulheres) foram condenadas à morte e os portuenses foram obrigados a dar aboletamento aos militares e intimados a contribuir com um imposto especial para pagamento de soldos e das munições. A vereação do Porto foi extinta, assim como o foi a Casa dos 24. Finalmente, 8 dos condenados à pena capital conseguiram fugir e uma das  mulheres salvou-se da forca por se encontrar grávida. Os restantes sentenciados (17 pessoas) foram enforcados ou decapitados no dia 14 de Outubro desse mesmo ano de 1757. Como era comum proceder naquele tempo, as cabeças e os corpos esquartejados dos justiçados foram expostos em várias praças e ruas da cidade. Para servirem de exemplo a quem, futuramente, ousasse desafiar o poder real.

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