sábado, 24 de junho de 2017

VINHOS DE MARSALA

Caves onde se conservam os vinhos de Marsala. Que são, desde há séculos, dos mais generosos da Sicília, de Itália e de toda a região mediterrânica.

ESTÓRIAS CURIOSAS DA NOSSA HISTÓRIA (1)


O DESAIRE DE BADAJOZ : FERIDO NUMA PERNA, D. AFONSO HENRIQUES É APRISIONADO POR FERNANDO II DE LEÃO

Sabe-se, hoje, que o célebre bandoleiro Geraldo Geraldes -alcunhado «O Sem Pavor»- foi um agente provocador do nosso primeiro rei. Com efeito, o ardiloso conquistador da cidade de Évora mantinha relações secretas com D. Afonso Henriques, que o encorajava (pagando-lhe) a mover acções militares irregulares em certas regiões da Península ocupadas pelos árabes e sobre as quais os reis vizinhos de Leão e de Castela dispunham (graças a tratados firmados) do direito exclusivo de conquista.
Nessas circunstâncias, não é, pois, de admirar que Geraldo, o famoso cavaleiro-vilão, tenha beneficiado, em Portugal, da maior das impunidades. Pudera ! Geraldo Geraldes guardava para si e para os seus homens o produto das pilhagens, mas entregava as praças e castelos de que se ia apoderando a el-rei de Portugal. Que, depois, publicamente, fingia admoestar o mercenário e perdoar-lhe as suas tropelias, sem, contudo, devolver aos lesados as terras e bens assim conquistados.
Protegido dessa curiosa maneira, o «Sem Pavor» chegou a internar-se profundamente em território sarraceno, muito para lá da actual raia alentejana, e a levar a guerra a Trujillo ou a Badajoz, praças particularmente apetecidas por D. Afonso Henriques. Depois de ter tomado a primeira dessas praças em 1165, Geraldo Geraldes montou um apertado assédio a Badajoz, acabando por investi-la com sucesso, em 1169. Inesperadamente, o ladino e arrojado Geraldes foi apoiado nesta última acção de guerra contra os mouros de Badajoz pelas tropas reais e pelo próprio soberano português, que, encontrando-se, à época, em conflito aberto com seu genro, Fernando II de Leão, nem sequer tentou disfarçar, dessa vez, o irrespeito que lhe merecia a letra dos tratados.
Pouco depois da sua entrada em Badajoz e da brilhante vitória alcançada contra a respectiva guarnição muçulmana, os Portugueses foram surpreendidos pela brusca e inoportuna chegada das hostes leonesas diante da cidade ribeirinha do Guadiana. Hostes que a marchas forçadas para ali haviam convergido, logo que Fernando II tomou conhecimento das acções bélicas do seu irrequieto sogro em terras cuja posse ele, muito legitimamente, reivindicava.
Tendo, assim, passado da incómoda situação de triunfadores à de sitiados e perante a desproporção das forças em presença, que lhes era francamente desfavorável, D. Afonso I de Portugal, Geraldo Geraldes e os seus cavaleiros resolveram renunciar temporariamente à posse da praça e, ao mesmo tempo, sair airosamente da aventura. Nesse transe, os Portugueses evacuaram a cidadela de Badajoz, onde se encontravam cercados, e irromperam num tropel desenfreado pelo meio dos leoneses, procurando a salvação na fuga. Foi, pois, durante essa retirada precipitada que D. Afonso Henriques embateu violentamente com uma perna no ferrolho de uma das portas da fortificação e que, já em campo aberto, se foi estatelar numa seara de centeio. Ali foi socorrido, não pelos seus companheiros, que na confusão da fuga nem sequer se aperceberam do infausto acontecimento, mas pelos soldados inimigos, que constataram que el-rei de Portugal havia fracturado uma perna e, naturalmente, o aprisionaram.
Parece que ao ver-se capturado D. Afonso Henriques, o temível 'Ibn Errik' -pavor de toda a moirama- chorou como uma criança. De raiva e de impotência, sem dúvida. E que suplicou insistentemente a seu genro a graça de o libertar e mandar de volta às suas terras, mediante a entrega imediata de todas as praças e castelos que ele, rei de Portugal, havia conquistado à revelia da assinatura dos tratados estabelecidos entre as duas partes.
Rezam as crónicas que Fernando II se deixou comover pelas súplicas do seu encanecido sogro (que já contava, nessa época, a respeitável idade de 68 anos) e que, magnânimo, se 'contentou' com a devolução de 25 cidades, vilas e fortalezas anteriormente conquistadas pelos Portugueses aos árabes e a cuja posse o rei de Leão se julgava legitimamente com direito, como já fizemos menção. D. Afonso (que esteve detido pelo genro cerca de 2 meses) teve de entregar, igualmente, ao seu rival a cidade galega de Tui e territórios adjacentes e remeter-lhe, ainda, 20 preciosos cavalos de batalha e 15 azémolas carregadas com 3 000 kg de ouro ! O preço pago ao monarca leonês pelo resgate do Fundador da Nacionalidade foi, apesar das aparências, bastante leve, se comparado àquilo que, naquele tempo, se exigia em semelhantes circunstâncias.
Abrimos aqui um parêntese para informar os leitores impressionados pela grande quantidade de ouro vertido por D. Afonso I ao seu captor, que o rei de Portugal era um homem rico; e que, tal como os outros monarcas da sua época, alimentava o tesouro real com o produto dos saques das cidades e vilas que conquistava, com o ouro (moeda universal do tempo) dos resgates dos cativos abastados, com os impostos lançados sobre os concelhos, com o dinheiro proveniente de portagens, rendas, tributos, vendas de privilégios, etc. Além disso, o rei de Portugal tirava chorudos proventos das vastas e úberas terras de lavoura que possuía e que produziam excedentes de bens alimentares essenciais, nomeadamente cereais.
Prosseguimos, dizendo que, depois do vexante e improfíquo desastre de Badajoz, o fundador da dinastia de Borgonha nunca mais foi o mesmo homem. Ao que parece, o osso quebrado (provavelmento um fémur)  nunca se soldou convenientemente o que obrigou o rei a coxear e a sofrer desse aleijão para o resto da sua vida. D. Afonso Henriques -excepcional homem de acção- também nunca mais pôde montar a cavalo e esse facto frustrou-o, ensombrando-lhe a existência. Testemunhas coevas referiram que, na sequência do acidente sofrido em Badajoz, o rei, acabrunhado, passava horas a fio num cadeirão. E que quando necessitava absolutamente de se deslocar, o fazia ao colo de criados ou era transportado numa improvisada liteira. Situação insuportável, com toda a certeza, para quem, pouco tempo antes -de montante em punho- ainda passeava a sua aura de invencibilidade pelos campos de batalha do ocidente ibérico.
Apesar do dislate de Badajoz e das suas funestas consequências para o Reino e para a saúde e prestígio de D. Afonso Henriques, o soberano ainda sobreviveu (contrariamente àquilo que prognosticaram alguns dos seus contemporâneos) uma quinzena de anos. A sua quase lendária força anímica acabou por sobrepor-se, pouco a pouco, aos problemas de ordem física e psicológica gerados pela sua forçada inacção. O primeiro rei de Portugal viria a falecer em Coimbra, a 6 de Dezembro de 1185, indo a enterrar -por sua expressa vontade- no mosteiro de Santa Cruz daquela cidade. Antes, porém, de deixar este vale de lágrimas, o «Conquistador» ainda teve a ocasião de experimentar dois momentos de intensa alegria : o primeiro, quando pôde comprovar que o seu filho primogénito e herdeiro da coroa -o príncipe D. Sancho- lhe seguia as pisadas, revelando-se um destemido guerreiro e um político avisado, preocupado com a dilatação do território nacional e com a boa administração do Reino. O segundo momento de grande felicidade, surgiu-lhe quase no fim da vida, quando D. Afonso viu, enfim, reconhecida por Roma a sua dignidade real. Com efeito, pela bula 'Manifestis Probatum', datada de 23 de Maio de 1179, o Papa Alexandre III outorgou-lhe, oficialmente, o título de rei dos Portugueses. Título ao qual D. Afonso Henriques já fazia jus, desde aquele memorável ano de 1143, em que o imperador de Leão e Castela se viu constrangido a renunciar à sua suserania sobre o Condado Portucalense.

(MMS)


O cavaleiro representado neste selo comemorativo da conquista de Évora aos mouros é, certamente, o famoso Geraldo Geraldes, companheiro de armas do nosso primeiro rei.
A imagem de topo mostra a estátua que foi erguida, em Guimarães, a D. Afonso Henriques; que, segundo a tradição, terá nascido naquela cidade do Minho.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

ESTRADAS DA MORTE

Na Estrada Nacional EN 236-1, que atravessa a região de Pedrogão Grande, pereceram -durante os violentos incêndios desta semana trágica- nada menos do que 47 pessoas : homens, mulheres e crianças. Pergunta-se : -Quem as mandou para ali e as precipitou para uma morte atroz ? -Ninguém sabe, ninguém diz... E o mais certo é que, como de todas as outras vezes e apesar da magnitude do drama que assolou aquela região, a culpa morrerá solteira. Eu não sei, muito sinceramente, como resolver o problema continuado dos fogos florestais no nosso país, O que sei é que -e porque esta situação dura há décadas e décadas, sem que se encontre uma solução para parar o flagelo das chamas- deve haver -a nível de responsáveis- muito desleixo, muita incompetência e muito interesse escondido. Porque se isso não fosse verdade, os fogos de Verão não teriam, ano após ano, consequências tão dramáticas, tão mortíferas. Para terminar este meu grito de revolta (que é, estou certo, o de muitos outros Portugueses) quero deixar um testemunho : aqui há uma dúzia de anos atrás, um medonho incêndio reduziu a cinzas grande parte do património florestal do meu concelho. -Sabem qual foi a resposta de quem deveria zelar pela sobrevivência das pessoas e por tomar medidas para que tal catástrofe não se repetisse ? -Eu digo : foi plantar à volta da minha aldeia e de outras da minha região, milhares e milhares de eucaliptos. Que agora se estendem por centenas de hectares, ocupando o terreno até 2 escassos metros das vias de circulação. Que, em caso de problema similar ao que matou 64 pessoas no Pedrogão e transformou as ditas vias em 'estradas da morte', ninguém poderá escapar ileso.

GRANDE SENHORA, GRANDE ARTISTA

Graça Morais, artista transmontana, é uma das grandes referências da pintura portuguesa contemporânea. E é também uma mulher preocupada com a vida das pessoas e com o destino do mundo; que, na sua opinião, se transfigura com a automatização das sociedades e a robotização dos indivíduos. Vi-a e ouvi-a no decorrer de uma entrevista que deu ao jornalista Júlio Magalhães do Porto Canal. E gostei de escutar a senhora; que, durante largos minutos, falou do seu trabalho, da sua obra, da sua aldeia e de muitas outras coisas mais que deveriam preocupar o cidadão comum. Que ela não é. Soube, com alguma surpresa, confesso, que partilha a sua vida com outro grande artista do nosso tempo : com o músico Pedro Caldeira Cabral. Que sejam felizes.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

ÍDOLOS ESQUECIDOS


Faia, de seu verdadeiro nome João Júlio de Almeida e Silva, nasceu no dia 1º de Outubro de 1932, no Barreiro, e foi, sem dúvida, um dos melhores jogadores de futebol que despontou nesse autêntico viveiro de talentos que foi, outrora, a apelidada 'Vila Operária'. Começou a sua carreira desportiva bastante cedo e, em 1947 passou a alinhar nas equipas principais do Futebol Clube Barreirense. Tendo disputado, ao serviço dos alvi-rubros, 152 jogos de 1ª Divisão e marcado 76 golos. Mais tarde foi seduzido por uma oferta emanando da Académica de Coimbra, onde perfez 45 desafios e marcou 18 vezes. A sua saída do Barreirense (por decisão intempestiva e unilateral) não caiu bem no goto dos adeptos do seu primeiro clube e eu lembro-me muito bem de ele ter sido alvo, nessa ocasião, de apupos e insultos. Que, passados tantos anos, todos queremos esquecer. Ainda envergou (por 2 vezes) as cores do Sporting, onde não foi feliz, e do Grupo Desportivo da CUF (um dos outros clubes de elite da sua terra natal), onde participou em 54 partidas oficiais e onde averbou 20 tentos. Também, e por duas vezes, vestiu a camisola da selecção B. Depois, em tempo próprio, abandonou a actividade desportiva para gozar da reforma. O tempo foi passando e, como a glória é qualquer coisa de efémero, já pouca gente (que não do Barreiro) se recordará dele dentro dos estádios de futebol. Que, lembro, eram pelados, como os saudosos e tantas vezes visitados campos D. Manuel de Mello e de Santa Bárbara. Mas -eu tenho-o por certo- a sua algo atribulada carreira teve saldo positivo. Porque Faia foi um avançado possante, habilidoso, lutador e conclusivo. Faia anda agora na casa dos 80 e eu (que o vi jogar bastas vezes) daqui lhe envio o abraço de um anónimo, que ainda não esqueceu o excelente futebolista que ele chegou a ser. Um excelente praticante dessa modalidade atlética a que chamam o Desporto-Rei.

O NOSSO MUNDO É BELO (114) : IÉMEN

AINDA A PROPÓSITO DE FRUTOS : UM CONSELHO


Use e abuse dos frutos vermelhos. É sabido que são bons para a saúde.

LARANJAS

Na nossa região do Alentejo está a terminar a época das laranjas. As poucas que restam nas árvores estão dulcíssimas, devido à concentração prolongada de açúcares. Mas enquanto duraram foi um regalo para a saúde e para as papilas. Para o fim do ano, lá para finais de Dezembro, haverá mais. A partir de agora teremos de nos contentar com frutos de importação, sem o mesmo sabor, sem a mesma qualidade. Paciência...

GLACIAR

Com 5 km de largura e uma espessura de 60 metros, o glaciar Perito Moreno é uma das maravilhas naturais da Argentina e do continente americano. Situado no Parque Nacional dos Glaciares (com uma área de 724 000 hectares), numa região de altaneiras montanhas e de densos bosques, este glaciar está-se a tornar -apesar da lonjura que o separa da 'civilização'- um dos grandes atractivos turísticos daquele país da América do Sul. Os visitantes podem observar esta fenomenal geleira, graças a estruturas concebidas e construídas para o efeito. Os turistas que o desejem também podem caminhar sobre o glaciar, se devidamente equipados para o efeito e se devidamente acompanhados por guias devidamente competentes e pertencentes aos quadros de pessoal do Parque. O nome do glaciar foi-lhe dado em honra de Francisco Pascasio Moreno, fundador da Sociedade Científica Argentina e explorador das inóspitas regiões austrais do seu país. Diz-se que o glaciar Perito Moreno constitui uma das mais importantes reservas de água doce do mundo. O que não é coisa de somenos importância.

FRATERNIDADE DURÁVEL

Esta belíssima fotografia de um caça 'Rafale' de 'l'Armée de l'Air', lembra-nos a fraternidade que uniu os pilotos franceses do Regimento Aéreo Normandia-Niémen e os seus homólogos da extinta União Soviética. Foi, com efeito, em 1942, que, com a plena aquiescência do general De Gaulle -líder da França Livre- algumas dezenas de aviadores originários da velha Gália passaram a bater-se nos céus da Europa de leste contra o nazismo de triste memória. Muitos deles ali conquistaram a glória, muitos deles ali perderam a vida aos comandos dos seus Yaks, de fabrico local; que, apesar da sua rusticidade, afrontaram com meritório êxito os Bf-109, os Fw-190 e outras máquinas alemãs pretensamente mais evoluídas. O moderníssimo caça que a imagem nos mostra, foi decorado por ocasião do 70º aniversário dessa amizade (que perdura) entre irmãos de armas. A imagem inferior (gravada na tampa de uma caixa de 'kit') lembra a odisseia do Normandia-Niémen através do ás Marcel Lefèvre  e do seu 'cavalo de batalha', um Yakovlev Yak-9. Mais abaixo, na fotografia : um grupo de aviadores franceses, durante a 2ª Guerra Mundial (também chamada naquele lugar Grande Guerra Patriótica), algures em território da URSS. Marcel Lefèvre é o segundo a contar da direita. Este oficial com 14 vitórias (11 devidamente homologadas) em duelos aéreos, faleceu no dia 5 de Junho de 1944, num hospital de Moscovo, para onde havia sido evacuado depois de ter sido gravemente ferido no decurso de mais uma missão. Morreu, curiosamente, na véspera do Dia D, o desembarque anglo-americano nas praias da sua terra natal, a Normandia. Os seus despojos mortais foram transferidos, no pós-guerra, para o cemitério da cidadezinha de Les Andelys, onde nascera.

RÉSTEAS DE INFÂNCIA


«Triste de quem não conserva nenhum vestígio da infância»

** Mário Quintana (1906-1994), poeta e prosador brasileiro **

quarta-feira, 21 de junho de 2017

DRAMA MARÍTIMO E ARTE PICTÓRICA

Esta curiosa tela (ilustração de topo) é da autoria do artista brasileiro Benedito Calixto de Jesus e pertence ao espólio do Museu de Arte Sacra da cidade de São Paulo. Intitula-se «O Naufrágio do Sirio» e alude ao desastre sofrido, a 4 de Agosto de 1906, por um paquete italiano que transportava emigrantes para a América do Sul. A ocorrência teve lugar no mar Mediterrâneo, perto da cidade espanhola de Cartagena e nela pereceram entre 300 e 400 pessoas, passageiros e tripulantes do «Sirio». Entre as vítimas encontrava-se um bispo que, antes do navio soçobrar, deu a sua bênção aos que iam morrer; e é essa cena dramática que o artista logrou reproduzir neste seu trabalho. A imagem inferior mostra a capa da revista «La Domenica del Corriere» noticiando a tragédia do «Sirio»

terça-feira, 20 de junho de 2017

LEMBRANDO WALTER BRENNAN

Nos westerns de Hollywood, habituá-mo-nos a vê-lo em papéis de 'old timer' e a apreciar o real talento deste indispensável actor secundário. Que, na sua longa carreira (com mais de 200 filmes e telefilmes), foi premiado com 3 Óscares da Academia de Cinema. Walter Brennan nasceu em 1894 numa pequena cidade de Massachusetts (Lynn). Era descendente de irlandeses, chegou a estudar engenharia e combateu em França durante a 1ª Guerra Mundial.Exerceu várias profissões (foi cultivador de ananases, na Guatemala, e agente imobiliário, na Califórnia, por exemplo), antes de ser contratado como «duplo' (em 1923) por uma produtora cinematográfica de Los Angeles. A partir de então, nunca mais parou de trabalhar na indústria do cinema. Até 1974, ano em que apareceu na sua derradeira película («Smoke in the Wind») e que foi também o derradeiro da sua vida. Tinha 80 anos de idade. Seria fastidioso estar a lembrar todos os êxitos da sua carreira. Recordarei apenas 3 das suas fitas mais emblemáticas; que, para mim, foram as que aqui estão ilustradas : «Rio Bravo» (de Howard Hawks, 1959), na qual ele encarna o papel de Stumpy, um xerife-ajudante velho coxo e rezingão, que ajuda John T. Chance (John Wayne) a defender a prisão de uma cidadezinha da fronteira das investidas dos maus de serviço. Este papel foi, provavelmente, o mais simbólico de toda a sua carreira e talvez aquele que lhe valeu a glória universal. Uma outra película que quero referir é «A Última Fronteira» («The Westerner», de William Wyler, 1940), na qual Brennan contracenou com Gary Cooper. Filme no qual o nosso homenageado deu vida à truculenta personagem do juiz Roy Bean. Também um papel inesquecível. A terceira e última fita escolhida para ilustrar a carreira de Walter Brennan é «Conspiração do Silêncio» («Bad Day at Black Rock», de John Sturges, 1955), um western moderno com trama policial. No qual o nosso artista representa o papel de um médico que se vê comprometido num crime colectivo (e de carácter racista), que um ex-oficial do exército americano vai desvendar. Brennan contracena aqui com uma plêiade de vedetas, tais como Spencer Tracy, Robert Ryan, Lee Marvin, Anne Francis, Ernest Borgnine, etc. Enfim, estes são apenas três exemplos colhidos da filmografia de um actor que nunca atingiu o estrelato, mas sem o qual (ele e outros dos seus pares de segunda linha) o cinema de Hollywood não teria sido o que é.

FUTEBOL COM EQUIPAS RECONSTITUÍDAS. COMO SERÁ A TEMPORADA 2017-2018 QUE SE AVIZINHA ?

A saída (para os mais prestigiosos e mais ricos clubes europeus) dos melhores jogadores do principal campeonato português de futebol impressiona-me. Assim como me causa muita admiração a pilhagem feita pelos nossos grandes clubes a expensas dos pequenos emblemas da nossa 1ª Liga. Acho isto profundamente injusto ! Mas, as coisas são o que são e já se traçam planos para encetar mais um torneio longo e, por causa do que acima referi, imprevisível. Tal foram as mudanças operadas nos planteis de Benfica, Sporting e Porto, os eternos candidatos ao título. Nestas circunstâncias, fica tudo em aberto, pois ninguém sabe como irão funcionar as equipas reconstituídas dos três grandes. Esperemos para ver.

CREME DE ESPARGOS

Creme de espargos com bacon. Miam, miam !!!

NOVO PORTA-AVIÕES

Antevisão do «Vikrant», que será o terceiro porta-aviões da armada indiana. País de economia emergente, com uma elevada taxa de crescimento, a União Indiana também está decidida a jogar -face à China, o outro colosso do Oriente- um papel de relevo na área militar. Este navio (que deslocará 40 000 toneladas em plena carga) será o primeiro deste tipo a ser construído na Índia (nos estaleiros navais de Cochim, mais precisamente) com tecnologia e matéria-prima (aços) locais. Disporá de uma pista de voo corrida e de uma outra reservada aos aparelhos com características STOVL ('Short Take-Off Vertical Landing'). O «Vikrant», cujo casco já foi lançado à água em 13 de Agosto de 2013, apresenta um comprimento de 252 metros por 58 metros de largura e poderá navegar (graças ao seu sistema propulsivo, que combina máquinas diesel e turbinas a gás) a uma velocidade máxima da ordem dos 30 nós. A sua autonomia será de 7 500 milhas náuticas com andamento reduzido a 18 nós. Este moderno porta-aviões será dotado com uma guarnição de 1 560 homens e operará com cerca de 40 aeronaves, de entre as quais sobressairão aviões MiG 29k e 'Tejas', de construção indiana. Presume-se que a entrada em serviço de mais este gigante dos mares ocorra durante o ano de 2018.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

CINE-NOSTALGIA (66)

«FÉRIAS EM ROMA» («Roman Holiday») é uma deliciosa comédia datada de 1953, que teve realização de William Wyler. Este filme teve enorme projecção internacional, pelo facto de contar com a presença, nos principais papéis, do já veterano e consagrado actor Gregory Peck e de uma actriz, quase debutante, mas que se afirmaria de imediato perante os cinéfilos do seu tempo : a maravilhosa e competente Audrey Hepburn. Inteiramente rodado nas ruas da Cidade Eterna e nos estúdios da Cinecittà, esta película teve 10 nomeações aos Óscars e acabou por receber 3 desses cobiçados prémios : os atribuídos à melhor actriz principal, ao melhor guarda-roupa e ao melhor argumento original. Refira-se que o autor deste último apareceu no genérico de «FÉRIAS EM ROMA» com o nome de Ian McLellan Hunter, quando, na realidade e sob essa capa, se escondia o genial Dalton Trumbo, um guionista perseguido pelo senador fascista McCarthy e cúmplices na famigerada Caça às Bruxas. Diga-se, ainda, que, só em 1992 -16 anos após a sua morte- é que Trumbo foi reconhecido como sendo o autêntico autor da história inspiradora deste clássico do cinema norte-americano. A produção desta fita (filmada a preto e branco e com uma duração de 118 minutos) deve-se aos estúdios Paramount Pictures, que à volta do par vedeta reuniu outros actores como Eddie Albert, Hartley Power, Harcourt Williams, Margaret Rawllings, etc. A história contada é a de uma jovem princesa (de um país imaginário) em visita a Roma e que, farta do protocolo que lhe é imposto e da vigilância apertada exercida pelos agentes diplomáticos do seu país, decide viver umas horas de liberdade plena na capital de Itália. Para tanto, logra escapar aos seus guarda-costas e perder-se, anonimamente, nas ruas da atraente cidade. Quis o acaso que tivesse sido descoberta por um jornalista (correspondente, na Europa, de um jornal americano), que vai viver com ela um verdadeiro, mas impossível romance de amor. Até que, as coisas sendo o que são, o 'charme' é quebrado e cada um deles regressa ao seu próprio universo; que podem encontrar-se, mas que não se misturam... Bonito a valer !

CANSADO



Sem comentários.

O NOSSO MUNDO É BELO (113) : MONTENEGRO

OBRIGADO J. P. ANDRIEUX

Originário de Saint Pierre e Miquelon (território francês da América do norte, vizinho do Canadá), Jean-Pierre Andrieux -homem de negócios e historiador- fixou residência em Saint John's, capital da Terra Nova. Fascinado pela presença dos bacalhoeiros portugueses naquela remota região, começou a escrever sobre eles e sobre a odisseia da chamada Frota Branca, que, em condições duríssimas e sobejamente conhecidas, por ali afrontou mil perigos na sua prodigiosa cata ao 'fiel amigo'. Andrieux, que foi cônsul honorário de Espanha em São João da Terra Nova (designação lusa da cidade onde mora), escreveu muito (artigos e livros) sobre o assunto e até documentários elaborou sobre os pescadores portugueses da 'faina maior'. Aqui fica o nosso sincero obrigado a esse estrangeiro a quem devemos o facto de ajudar a perpetuar a memória de tempos e eventos passados.