segunda-feira, 22 de maio de 2017

A ESSÊNCIA DOS NOSSOS POETAS


CIÚMES DO PASSADO


Quando teu rosto adorado,
Da luz do amor se illumina,
Resplandecente a meu lado,
Não sabes por que anuviado
O meu semblante se inclina?
Por que um amargo sorriso
Pelos meus labios deslisa,
Quando teus labios, Luiza,
Me proferem anhelantes,
Tantos protestos de amor!
É que minh'alma se opprime
Á lembrança do passado,
Em que já outro a teu lado
Escutou essas palavras,
Que me repetes agora
Cada vez com mais ardor;
E que esses mordidos beijos
Que me perdem de ventura,
Dados co'a mesma ternura
Já perderam de desejos
Neste mundo outro tambem!
E tu não sabes, querida,
Os zelos que me devoram,
Á lembrança que na vida,
Já quizeste a mais alguem?!

Raimundo de Bulhão Pato (1829-1912). Nasceu em Espanha (nas cercanias de Bilbau) e ali viveu parte da sua adolescência. Quando, acossado por devastadora guerra civil, decidiu procurar abrigo e reconforto no país de origem de seus pais. Por cá viveu e estudou -nomeadamente na Escola Politécnica- tornando-se amigo de grandes figura do nosso mundo literário e político. Ele próprio começou a produzir poesia (considerada «espontânea e natural»), para além de traduções (de Shakespeare e de Vítor Hugo, entre outros) que lhe granjearam o respeito dos seus pares. Deixou-nos vários livros e artigos nos jornais em que colaborou. Infelizmente, para a maioria dos Portugueses, o seu nome continua apenas associado a uma receita de amêijoas, que, ao que se diz, terá inventado...
O poema que aqui vos deixo está redigido no português do tempo (Janeiro de 1851).

domingo, 21 de maio de 2017

PURO PRAZER

Bela apresentação de 'foie-gras'. Os figos são, todavia, dispensáveis. A não ser que o degustador seja nativo de um país do norte da Europa, onde esse fruto das nossas regiões faça figura de 'coisa' exótica... Para acompanhar, de preferência, com vinho de Sauternes bem fresquinho. Mas, à falta deste néctar da vinha bordalesa, um porto branco ou um moscatel cá dos nossos (de Setúbal ou do Douro) não farão má figura.

O NOSSO MUNDO É BELO (108) : GUIANA

'CURRAGH' : UMA ESTRANHA E ANTIGA EMBARCAÇÃO...


O 'curragh' é uma original e rústica embarcação, típica da costa oeste da Irlanda. A sua origem perde-se na noite dos tempos, presumindo-se ser antiquíssima. A tal ponto, que está associada à lenda de São Brandão, o monge-navegador, que no século VI da nossa era terá empreendido -a bordo de um primitivo 'curragh'- uma misteriosa viagem pelo Atlântico norte; onde procurou (e terá encontrado, segundo a tradição) uma afortunada ilha. Cuja localização os eruditos nunca conseguiram situar nos mapas... O 'curragh' era constituído por uma ligeira estrutura de ripas entrelaçadas, revestida, originalmente, por peles curtidas de animais (geralmente de bovinos), impermeabilizadas. Essa impermeabilização era conseguida com a aplicação de uma mistura de pez e de óleo de linhaça. Nas embarcações deste tipo, que ainda hoje se constroem, é utilizada uma tela embebida em alcatrão. Os 'curraghs' de maior porte medem uns 6 metros de comprimento por 1 metro de boca. Mas, ainda segundo a lenda acima referida (reportoriada nas múltiplas versões de «Navigatio Sancti Brendani»), o de São Brandão era de muito maiores dimensões, visto ter podido transportar 60 viajantes. E, enquanto os 'curraghs' que se conhecem são movidos por 2 ou 3 pares de remos (e por vezes por um simples pano), o do Profeta da Irlanda teria disposto de 2 mastros e de velas de pendão muito em uso na marinha medieval.  Na Irlanda, mas também no País de Gales, existe uma versão mais pequena desta embarcação, o 'coracle', que também ele sobreviveu ao tempo e às inovações tecnológicas. É de forma redonda ou oblonga e é facilmente transportável (pesa 10/12 kg) por uma só pessoa até às margens de rios e lagos onde é utilizada.


O 'curragh (estilizado) de São Brandão é lembrado numa das faces desta moeda comemorativa -de 10 euros- emitida pela República da Irlanda.


Não ! Isto não é um homem-tartaruga. É um cidadão da Verde Erin carregando às costas um 'coracle', embarcação local, de menores dimensões, aparentada ao ''curragh'.

sábado, 20 de maio de 2017

FUTEBOL : EMBLEMAS EXÓTICOS (3)


O Luch-Energiya é um clube de futebol da cidade portuária de Vladivostok, situada nos confins da Sibéria oriental. Foi fundado em 1958 e participou, por várias vezes, no campeonato da extinta União Soviética. Depois da derrocada da U.R.S.S. e da sua substituição pela República Federativa Russa, este clube ainda passou -por 3 vezes- pelo escalão principal do futebol nacional. Depois da temporada 2007-2008, foi despromovido e joga, desde então, nas divisões secundárias. Tem, como é visível, o tigre como símbolo. Fera cuja cabeça está representada num duplo círculo com as cores do clube e que contém, também, outras referências : nome da agremiação e data da sua criação oficial. Num listel, em baixo, figura o nome da cidade onde tem a sua sede. Tudo isto escrito, obviamente, na língua russa, que, como é sabido, usa o alfabeto cirílico.

LEMBRANDO ANTÓNIO MARIA CARDOSO E REABILITANDO O SEU NOME


A figura de António Maria Cardoso -personagem que a maioria dos portugueses não sabe quem é- ficou injustamente associada ao regime do Estado Novo; que, numa rua com o seu nome, instalou a sede da sinistra PIDE/DGS(*). Por onde passaram e foram torturadas, pelos esbirros de Salazar, muitas centenas de adversários da ditadura. António Maria Cardoso (1849-1900) nada teve, no entanto, obviamente, a ver com os políticos do golpe de 28 de Maio e é necessário, pois, repor a verdade sobre esse notável africanista e distinto oficial da marinha real (onde atingiu a patente de capitão-de-fragata), que se notabilizou -ainda no século XIX- por ter realizado duas expedições ao coração de África : a primeira delas foi cumprida em 1882 na companhia de outro grande explorador, João de Azevedo Coutinho e o seu relato e conclusões foram publicadas pela Sociedade de Geografia de Lisboa. A segunda viagem pelos sertões, então desconhecidos do continente negro, «ao Niassa e ao Mataca», teve o seu desfecho em 1889 e também teve assinaláveis repercussões. António Maria Cardoso, um lisboeta, faleceu na sua cidade natal em 17 de Novembro de 1900, depois de ter sido deputado da nação. Tinha 51 anos de idade; e merece mais do que a associação que hoje se faz do seu nome com a odiada polícia secreta do regime derrubado em 25 de Abril de 1974.

(*) A PIDE foi transferida em 1954 para a rua António Maria Cardoso, depois de ter passado pela rua Serpa Pinto e pelo largo da Trindade. Na sua derradeira morada lisboeta, essa instituição criminosa reuniu mais de 3 milhões de fichas de cidadãos, nas quais constavam dados de vária ordem sobre os portugueses a vigiar de perto pela sua hostilidade à ditadura...

BAPTISTA-BASTOS TINHA RAZÃO...

Terminou a época futebolística 2016-2017 -com, diga-se de passagem, uma brilhantíssima vitória do Benfica, o clube dos meus afectos, que se sagrou campeão nacional pela quarta vez consecutiva- e eu espero que a paz volte, embora temporariamente, bem o sei, aos ecrãs da televisão. Onde as brigas por causa da bola (protagonizadas por muita gente tonta, fanatizada e malcriada) tomaram proporções nunca antes vistas. Apesar de ser amante do chamado desporto-rei, espero que os responsáveis pelos diferentes canais ganhem juízo e reduzam o número desses episódios tristes, nem que seja só pelo facto do espaço e do tempo utilizados na TV a falar de bola poderiam ser aproveitados de maneira mais útil e mais inteligente; com emissões culturais, por exemplo, nas quais o povo deste país aprendesse algo mais do que a ser faccioso e cúmplice do regabofe generalizado. A propósito do que refiro, quero deixar aqui um texto assinado pelo recém-falecido jornalista e escritor Baptista-Bastos, com o qual eu concordo em absoluto. Ora leiam :
«A insistência doentia, quase hora a hora, no futebol, nos comentários, nas previsões, nas análises remove do português comum qualquer reflexão acerca da sua própria situação social. As agendas dos jornais, os alinhamentos e as opções das televisões e das rádios merecem uma vigilância crítica dos próprios profissionais. O que não existe. Manifesta-se uma total subserviência aos imperativos do que dizem ser as exigências do público. É uma velha pecha e uma desculpa fatigante de quem abdicou do dever mais sagrado da comunicação social : informar e esclarecer para formar».
Este texto foi redigido (e publicado no «Jornal de Negócios») em 2009. E nunca foi tão actual.

FADO DE ALFAMA


Não tem vielas, tem velas
Alfama virada ao rio
Ancorada nas areias
Como se fora navio...

CURIOSIDADES DA NOSSA LÍNGUA : DO VOCÁBULO ÁRABE DAR SENA'A ÀS PALAVRAS TERCENA E ARSENAL


Ao que me foi dito, o vocábulo da língua árabe dar sena'a traduz-se por fábrica; que pode ser aplicado (entre outros) a uma unidade artesanal ou industrial de construção naval militar. Parece que foi daí que derivou a palavra turca tersana e o vocábulo veneziano arzana; procedendo deste último a moderna palavra arsenal. Que em várias línguas europeias (entre as quais a nossa) designa o local onde se realizam e/ou se reparam navios. Outrora, em tempos medievais, usou-se no nosso país o termo tercena, para designar o fabrico de galés e de outras embarcações de guerra próprias da época; termo que era sempre acompanhado pelo adjectivo real (tercena real), para que não subsistissem dúvidas sobre a sua pertença ao monarca. Curioso, não é verdade ?

PORQUE SERÁ ?...

Com exibição programada em Portugal lá para fins do mês em curso, o quinto filme da saga de Jack Sparrow vai ter o título «Piratas das Caraíbas : Homens Mortos Não Contam Histórias»; que, diga-se de passagem, corresponde à tradução perfeita do original («Pirates of the Caribbean : Dead Men Tell No Tales»). Mas é curioso assinalar que o título escolhido para a sua divulgação nos nossos ecrãs é distinto daqueles que lhe foram atribuídos no Brasil («Piratas do Caribe : A Vingança de Salazar»), em Espanha («Piratas del Caribe : La Venganza de Salazar»), em França («Pirates des CaraIbes : La Vengeance de Salazar»), em Itália («Pirati del Caraibi : La Vendetta di Salazar») e nalguns outros países do mundo latino, mas não só. Porque será ? -Escrúpulos em ofender a memória de certo ditador caseiro ? -Eu cá acho que sim, o que, sinceramente, me deixa preocupado...

CEPTICISMO...

Parece que há sinais de que o nosso país vai melhor... E eu até acredito que sim, que, em certas matérias, as estatísticas nos favoreçam em relação a um passado recente. -Mas, as pessoas ? -Será que a sua situação melhorou assim tanto ? -Eu continuo a alimentar grandes dúvidas. Sobretudo quando a imprensa a que eu ainda dou crédito nos informa que -segundo estudos sérios- 1 em cada 4 portugueses sobrevive com 322 euros por mês. Notícia que veio recentemente a lume nos jornais e que, infelizmente, ninguém quis ou pôde desmentir...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

EVOCANDO HENRIQUE VIII, REI DE INGLATERRA

Henrique VIII de Inglaterra (1491-1547) foi o segundo rei da dinastia dos Tudor. Para além de ter sido o fundador e o primeiro chefe da Igreja Anglicana, sabe-se que este Barba Azul (como foi alcunhado) teve 6 esposas, que tiveram -algumas delas- um destino trágico. Assim, 2 dessas mulheres (Catarina de Aragão e Ana de Cleves) foram repudiadas e 2 outras decapitadas (Ana Bolena e Catarina Howard). Das restantes, uma morreu das consequências de um parto difícil (Joana Seymour) e outra sobreviveu ao marido (Catarina Parr). Henrique VIII nunca pôde contemplar o trono com um herdeiro varão (*), mas ofereceu à Inglaterra uma filha, que foi, simplesmente, uma das figuras mais ilustres de toda a sua História : Isabel I, que, depois dos seus marinheiros terem destroçado a Invencível Armada de Filipe II e de terem navegado por todos os mares e oceanos do planeta, tornaram a velha e sombria Albion na mais poderosa nação do mundo. Foi esse o grande legado deixado ao seu país por um homem doentiamente violento, até para com os seus próprios familiares e amigos. O destino tem destas coisas...

(*) Eduardo VI (1537-1553), filho de Henrique VIII e de Joana Seymour, figura na cronologia dos reis de Inglaterra, mas nunca governou 'de facto', por não ter saído da menoridade legal. O 'seu' reinado foi assumido por um Conselho de Regência, que governou a Inglaterra até à sua morte, ocorrida quando tinha 15 anos de idade.


Isabel I (1533-1603), rainha de Inglaterra, filha de Henrique VIII e de Ana Bolena.

BENFICA : NADA ESTÁ GANHO, MAS NADA É IMPOSSÍVEL

O Benfica venceu, ontem à noite, a temida formação do Borússia de Dortmund, aproveitando-se muito bem das aselhices cometidas por uma equipa dominadora, que jogou mais futebol, mas que esbarrou na táctica montada por Rui Vitória, no oportunismo do avançado Mitroglou e numa exibição deslumbrante do jovem guardião encarnado Ederson de Moraes. «Resultado ridículo», disse, no final do desafio, o treinador tudesco... Mas não, certamente, para a equipa das águias; que fez o que tinha a fazer, com os meios que tinha ao seu alcance e que não beneficiou (minimamente) dos favores da arbitragem, como pôde ver-se. É evidente que, daqui a umas semanas, na Alemanha, vai ser muito difícil manter a vantagem obtida na Luz e passar para os quartos-de-final da 'Champions'. Mas já, previsivelmente, com Jonas no plantel, o Borússia pode encaixar um golo e depois ter grande dificuldade em dar a volta ao resultado... -Quem sabe ? -É que o futebol tem destas coisas. Veja-se o que aconteceu ontem no Parque dos Príncipes, onde o PSG humilhou o F.C. Barcelona, infligindo-lhe uma derrota esmagadora por 4-0 ! Por acaso até com a ajuda do ex-benfiquista Di Maria, que marcou metade dos golos dos parisienses. Enfim, como dizem os Franceses, «Qui vivra verra» !

FUTUROLOGIA COM ABORDAGEM POUCO CIENTÍFICA

Há 1 século atrás, os futurólogos especulavam muito sobre o que seria a vida no ano 2000. O autor deste colorido desenho, por exemplo, mostra aqui como se processaria uma visita de turistas ao Polo Norte...
E lá vão eles, os visitantes, confortavelmente instalados em 'carruagens' sustentadas por... dirigíveis. Em baixo, esquimós, cães de trenó, ursos brancos e focas saúdam os intrépidos viajantes. Que, apesar do progresso anunciado, deveriam chegar àquelas regiões do Setentrião após dezenas de aventurosas horas de navegação aérea, à partida do norte da Europa ou do Canadá.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

FUTEBOL : EMBLEMAS EXÓTICOS (1)

Este é o emblema do HAC (Le Havre Athletic Club), que é o decano do futebol francês. Foi fundado em 1872 nessa importante cidade (Havre) do litoral normando. As suas cores características são o azul marinho e o azul céu. O dragão (heraldicamente é referenciado como sendo uma salamandra) foi colhido do símbolo municipal e alude ao brasão usado, no século XVI, pelo rei Francisco I; que fundou esta cidade portuária no estuário do rio Sena. Este clube, hoje na divisão secundária, já militou (por várias ocasiões) no principal campeonato do futebol gaulês. Datando desse tempo a última vez que o vi jogar : uma partida contra o F. C. Nantes (no estádio de La Beaujoire), aqui há uns anos atrás... É uma agremiação desportivas com pergaminhos e com grandes hipóteses de, a breve termo, voltar ao convívio dos grandes.

LAGOA DO FOGO, MARAVILHA MICAELENSE

A lagoa do Fogo é um dos grandes cartazes turísticos da ilha de São Miguel, nos Açores. Infelizmente, quando por lá passei em Abril do passado ano, o nevoeiro estragou-me o passeio e frustrou-me desta belíssima visão. Quando ganhar o 'Euroilusões' voltarei lá. Prometido !

O CARNAVAL ESTÁ A CHEGAR...

O Carnaval Trapalhão é em Castelo de Vide. Desenrola-se -para grande satisfação dos foliões locais e forasteiros- entre os dias 24 e 28 de Fevereiro de 2017, naquela bela vila do Alto Alentejo. Se puder, apareça por cá.

CINE-NOSTALGIA (64)

«RIO LOBO» (mesmo título original) foi o derradeiro filme realizado por Howard Hawks. Estreou em 1970, quer dizer 7 anos antes do passamento de um dos mais portentosos cineastas do universo hollywoodiano. A história contada (baseada num texto original de Burton Wohl) toma como pano de fundo a Guerra de Sesseção, durante a qual o coronel nortista Cord McNally perde um carregamento de ouro (confiado à sua guarda) a favor dos sulistas. O golpe, executado com maestria pelo oficial rebelde Pierre Cordona, só pôde ser concretizado com a conivência de um traidor, cuja identidade é desconhecida de McNally. Pouco tempo depois da rendição dos confederados, este ganha a confiança dos antigos inimigos e vai, com a ajuda de alguns deles, localizar o ouro roubado e conhecer o rosto do aleivoso nortista comprometido num caso em que a ambição foi o motor de uma tragédia; que prejudicou o governo federal em milhões de dólares e que sacrificou muitas vidas, entre as quais a de um jovem oficial, no qual McNally via o seu filho adoptivo. Argumento banal ? -Sem dúvida. Só que aqui se reconhece a 'mão' de um mestre do cinema clássico. Que, em «RIO LOBO»,  recorreu a todos os bons truques da sua arte e colocou a figura carismática de John Wayne no topo de um elenco que se serviu (e bem !) de alguns daqueles actores secundários que fizeram a glória do cinema western : Jack Elam, Victor French e Jim Davis, entre outros. Filme, pois, agradável de seguir, tal como já o haviam sido «Rio Bravo» e «El Dorado», do mesmo cineasta e com a supracitada cabeça de cartaz. O tal actor John Wayne que, segundo se disse e se escreveu, aceitou o papel sem mesmo ter lido o guião de «RIO LOBO». Trata-se de uma fita distribuída pela Prodis, colorida e com uma duração de 114 minutos. No elenco, figuram ainda os nomes de Jorge Rivero, Jennifer O'Neill e Chris Mitchum. Largamente difundida em vídeo.

UMA OPORTUNIDADE PARA BRILHAR

O Benfica recebe esta noite, em sua casa, a poderosíssima formação do Borússia de Dortmund, que é, somente e apenas, uma das mais fortes equipas da liga alemã e uma das mais temidas na disputa da 'Champions Cup'. Face aos resultados passados (contra o Boavista, o Felgueiras e o Setúbal), muitos dos adeptos da águias deixaram de apostar na sua equipa. Eu continuo, porém, a acreditar (mais logo veremos se tenho ou não razão...) na possibilidade do Benfica surpreender. Porque é bom lembrar que o plantel encarnado também dispõe de alguns valores seguros, que, penso eu, não quererão deixar passar a oportunidade de mostrar o seu futebol, perante uma Europa atenta ao que, hoje, se vai passar na Luz.  Acredito e espero. Viva o Benfica !

O NOSSO MUNDO É BELO (107) : TUNÍSIA

HISTÓRIA E FILATELIA : RECORDANDO A BATALHA NAVAL DAS ILHAS FALKLAND

O triunfo britânico na batalha das ilhas Falkland -travada em 8 de Dezembro de 1914- foi a resposta dada pela armada real inglesa ao conde Maximilian von Spee, almirante da marinha de guerra do império alemão; que, um mês antes, junto à costa chilena, havia alcançado uma vitória exemplar na batalha de Coronel, ao afundar 2 cruzadores-couraçados ao inimigo e causando-lhe 1 570 baixas, contra apenas 3 feridos do seu lado. Depois de ter alcançado o oceano Atlântico, via cabo Horn, o esquadrão germânico (constituído por 5 navios : cruzadores-couraçados «Scharnhorst» e «Gneisenau» e 3 cruzadores ligeiros, a saber «Nürnberg», «Leipzig» e «Dresden») tomou o rumo de Port Stanley, nas Falkland, onde tencionava reabastecer-se em carvão, antes de prosseguir a sua viagem para a Europa. Aconteceu, porém, que, desde a véspera, o esperava ali uma forte esquadra da 'Royal Navy', composta por 8 navios, de entre os quais se destacavam os poderosos cruzadores de batalha «Invincible» e «Inflexible». Perante a presença de tal força, von Spee renunciou ao abastecimento e deu ordem de dispersão aos seus navios. Que foram imediatamente perseguidos pelos britânicos (colocados sob o mando do almirante Sturdee) e afundados sem remissão. À excepção, porém, do «Dresden», que logrou colocar-se a salvo num fiorde do sul da Argentina, onde seria capturado poucos dias depois. Os selos que aqui mostro foram emitidos pela administração postal das ilhas Falkland -para comemorar o 100º aniversário desse sucesso britânico- ilustram alguns dos poderosos vasos de guerra germânicos destruídos nessa batalha naval. Que também ocasionou a morte de inúmeros marinheiros alemães, incluindo o seu chefe, o já denominado almirante von Spee.

A DIREITA E A VERDADE

Terá o ministro Centeno mentido no caso dos contactos que manteve com Domingues, o indigitado gestor da C.G.D. ? -Não sei e, francamente, nem quero saber. O que, nisto tudo, me irrita é a falsa  indignação dos senhoritos dos partidos da oposição à 'geringonça', em relação às (autênticas ou falsas) inverdades do actual detentor da pasta das finanças. Sim, fico boquiaberto com as 'preocupações' desses pinóquios que -toda a gente o sabe- se mascaram agora de donzelas ofendidas, quando eles próprios são (ou, pelo menos, muitos deles) a personificação da aldrabice pegada e continuada. Da aldrabice tosca e repetida ao longo de anos... Não vou citar nomes, porque essas tristes figuras (de 'imaculada lisura') são sobejamente conhecidas dos Portugueses; que lhes pagam para -no Parlamento- se preocuparem e discutirem sobre assuntos de verdadeiro interesse para a nação. Mas tenho vontade de gritar a essa turba de papagaios incompetentes : vão trabalhar, verguem a mola, produzam qualquer coisinha de útil e vão ver como elas vos mordem. Ao menos Centeno (pelo qual eu confesso não nutrir uma particular simpatia) tem, ele, feito esforços para jugular o défice (o que conseguiu) e para tentar controlar uma banca deixada à deriva... Que cambada de frustrados, meu Deus ! -Terá esquecido essa gente, que ser do contra (nomeadamente da Assembleia da República) é pugnar pelos superiores interesses do nosso país, seja qual for o poder do momento ? -Depois queixem-se do desinteresse generalizado dos Portugueses pela política...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A LIGA DE FUTEBOL AQUECE. -QUEM SERÁ O CAMPEÃO 2016-17 ?

Com os recentes e sucessivos deslizes do Benfica (contra o Marítimo, o Boavista e o Vitória de Setúbal), a nossa 1ª Liga de futebol aqueceu e colocou os dois principais pretendentes ao título a 1 mísero ponto de distância na classificação geral. Mas, como diz o outro, ainda há muito campeonato para jogar e também são conjecturáveis tropeções de 'dragões' e não só. A começar, para os portistas, já na sua próxima deslocação ao estádio D. Afonso Henriques, onde jogará contra um Guimarães que, ali, nunca facilita a tarefa dos chamados 'Grandes'. No nosso futebol,  está visto que os pretensos 'pequenos' estão cada vez mais aguerridos e que até já são capazes de ir vencer desafios no reduto dos putativos campeões. Por muito poderosos que estes sejam. E isso é bom, não haja dúvidas, para o espectáculo do futebol no seu geral. Por muito que me custe a mim, benfiquista assumido, ver o meu clube numa situação delicada, depois de, na primeira volta, ter dominado, imperialmente, todos os seus outros rivais. Enfim ! Tudo isto gera grandes expectativas em relação às duas equipas dos clubes que seguem na frente da tabela e que, salvo milagre de Santo Eucarário, será -uma delas- campeã da modalidade e do escalão superior do nosso futebol. Pois, quanto ao Sporting, parece-me que os 'leões' já foram à vida... E por muito tempo. Assim queiram os anjinhos que o clube de Alvalade conserve à frente do seu departamento futebolístico a 'imparável' parelha Carvalho/Jesus.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

FERNÃO DE OLIVEIRA, GRANDE FIGURA RENASCENTISTA

Natural da cidade de Aveiro, onde nasceu no início do século XVI (em 1507), Fernão de Oliveira foi um dos grandes portugueses do seu tempo. Mas que está, hoje, completamente esquecido... Foi frade dominicano; mas acusado de heresia pela Inquisição, foi várias vezes preso pelo tribunal do Santo Ofício. Fernão de Oliveira («clérigo e diplomata, escritor e filólogo, marinheiro e soldado, aventureiro e perseguido», como dele disse um dos seus biógrafos), foi o insigne autor da primeira Gramática da Língua Portuguesa e destacou-se, igualmente, como perito de construção naval e teórico da guerra no mar, deixando elucidativas e úteis obras sobre estas matérias : «Ars Nautica» e «Livro da Fábrica das Naus». Que, segundo os entendidos, muito contribuíram para lançar, nos anos Quinhentos, as bases da hegemonia portuguesa nos oceanos. Fernão (ou Fernando) de Oliveira também se ilustrou pelo facto de ter tecido «considerações morais condenatórias» sobre a escravidão e o comércio de escravos, podendo, pois, ser considerado um dos pioneiros do abolicionismo. Pouco antes de falecer, na sua cidade natal (em 1580), era um firme partidário de D. António, Prior do Crato, que ele considerava ser o legítimo herdeiro da coroa de Portugal. Sustentando essa sua tomada de posição contra Filipe II com escritos historiográficos, que apoiavam o candidato português ao trono deixado vago pelo cardeal-rei D. Henrique. Na imagem anexada (topo) pode ver-se o frontispício da sua «Grammatica da Lingoagem Portuguesa», editada no ano de 1536. E, em baixo, capa de outro dos seus livros : «Arte da Guerra do Mar».

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O MOREIRENSE FUTEBOL CLUBE VENCEU A TAÇA DA LIGA


Depois de ter levado a melhor nos seus confrontos com o Porto e com o Benfica, o Moreirense foi o grande vencedor da final da Taça da Liga, que disputou (ontem) no Algarve com o Braga. Bem feito ! E, já agora, muitos parabéns a uma equipa minhota, que surpreendeu pela sua coragem, pelo seu empenho, pela qualidade do seu futebol.

ADEUS JOHN HURT

Deixou-nos há poucos dias (a 25 de Janeiro), com 77 anos feitos, o grande actor inglês John Hurt. «Um Homem para a Eternidade», «O Expresso da Meia-Noite», «Alien, o Oitavo Passageiro» e «Elephant Man» foram, apenas, alguns dos muitos e memoráveis filmes que ele nos legou e que por cá ficarão como testemunhos do seu imenso talento. Bye bye John...

sábado, 28 de janeiro de 2017

MOREIRENSE NA FINAL DA TAÇA DA LIGA, COM TODO O MÉRITO

A propósito do último jogo (para a Taça da Liga) disputado entre o Moreirense e o Benfica -que eu segui na TV- acho que devo resumir, aqui e em 3 ou 4 linhas, o que me foi dado ver : um S.L.B. apagado, sem inspiração e convencidíssimo de que bastava exibir as prestigiosas camisolas encarnadas do clube para amedrontar um adversário mais modesto. O que aconteceu depois, foi o que todos puderam observar : apareceu em campo, no início da segunda parte, uma equipa nortenha com genica, inteligente, ciente do seu valor, que não tardou em inverter um resultado que lhe era desfavorável, marcando 2 golos de imediato e mais um terceiro já na fase final do desafio. O Benfica pôs-se a correr atrás do prejuízo, mas já nada pôde fazer diante de uma equipa concentrada e disposta a fazer História, vencendo o tricampeão e superfavorito da prova. Ganhou, pois, quem mais fez pela vida. Com galhardia e com justiça. Disso não tenho a mínima dúvida ! E agora estou preocupado -como muitos outros benfiquistas- com os futuros jogos da equipa da Luz. É que o principal adversário das águias está a apenas 4 pontos de distância na tabela classificativa e parece-me ter recuperado o querer e a garra. Ao Benfica resta, pois, mudar de atitude e revigorar-se animicamente. Senão, adeus tetra...

O NOSSO MUNDO É BELO (106) : GUINÉ EQUATORIAL