sábado, 7 de janeiro de 2017

INJUSTIÇAS DA HISTÓRIA


Pois é, a História tem destas coisas : uns fizeram obra e outros colheram os louros da fama... Estou a lembrar-me, por exemplo, do caso paradigmático de um obscuro 'navegador' florentino chamado Amerigo Vespucci, que pouco ou nada teve a ver com a descoberta (real) do Novo Mundo; mas que acabou por ganhar a eternidade, ao ver o seu nome atribuído a esse extraordinário continente... Injustiças desta natureza são por demais conhecidas e abundam na História da Humanidade. A esse propósito, quero aqui recordar (muito brevemente) a figura do nosso compatriota Duarte Lopes, um explorador quinhentista que, durante 10 longos anos, percorreu o território dos chamados Grandes Lagos, onde alguns dos maiores rios africanos têm as suas nascentes. Nomeadamente o fabuloso Nilo. A passagem de Duarte Lopes por essa até então desconhecida região da África Negra está devidamente documentada, pois o explorador luso foi convidado a enviar os seus relatórios «sobre os assuntos do Congo» a personalidades tão marcantes da História do seu tempo, como o foram o rei Filipe II e o papa Sixto V. Para além disso, a descrição das suas viagens pela África central («Relação do Reino do Congo e das Terras Circunvizinhas») foram compiladas por Filippo Pigafetta e publicadas em 1591. Mas, hoje, quem se lembra dele, de Duarte Lopes ? -Que sabe, sequer, da sua existência ? -Provavelmente muito pouca gente, Portugueses incluídos... E sabem senhores, quem tirou proveito da sua actividade pioneira pelos sertões de África ? -Ora, nada mais nada menos do que 'sir' David Livingstone, que pisou chão percorrido pelo nosso compatriota 300 anos depois dele... E digam-me lá agora, se a História pode ou não ser injusta para com os pioneiros ?...

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Duarte Lopes (que tinha ascendentes cristãos-novos) era natural de Benavente. Que lhe mandou erigir a estátua representada na fotografia de topo. A segunda foto mostra o frontispício do livro «Relação do Reino do Congo e das Terras Circunvizinhas», mandado editar por Filippo Pigafetta; que teve tradução nas línguas europeias de maior relevância.

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