sexta-feira, 18 de agosto de 2017

ARTUR DA SILVA QUARESMA, ÍDOLO BELENENSE


Artur Quaresma foi um dos grandes futebolistas portugueses das décadas de 30 e 40. Nasceu no Barreiro em 1917 e foi nessa vila -hoje cidade- que deu os primeiros passos na modalidade desportiva que escolheu praticar. O seu primeiro clube foi o F. C. Barreirense, que, ao tempo, militava na 2ª divisão. Deixou os alvi-rubros em 1936, para se transferir para Os Belenenses, que eram, então, um dos 'Grandes' de Lisboa e do campeonato nacional da divisão maior. Quaresma já estava, pois, nessa prestimosa agremiação do bairro do Restelo, quando a dita conquistou o título de Campeão Nacional, em 1946. Pelos azuis, Quaresma disputou 154 jogos oficiais, durante os quais marcou 71 golos. Também fez uma passagem pela selecção A, tendo participado em 5 desafios internacionais. Foi-me dito por alguém que ainda o viu jogar futebol, que era um atleta muito habilidoso e de grande humildade; que chegou -naqueles tempos difíceis- a desempenhar a profissão de electricista simultaneamente com a prática de futebolista de alto nível. Artur da Silva Quaresma -que era tio-avô do internacional Ricardo Quaresma- faleceu na sua terra-natal em 2 de Dezembro de 2011 (com a idade de 94 anos) e foi a enterrar no cemitério de Vila Chã. Aqui fica a minha homenagem a esta saudosa estrela do desporto-rei.

MOSQUETEIRO


Este mosqueteiro (aqui representado num selo dos correios britânicos) combateu na Guerra Civil; que, em Inglaterra, durou entre 1642 e 1651. Foi uma guerra fratricida, que pôs frente a frente o exército do rei absolutista Carlos I e as forças fiéis ao Parlamento, chefiadas por Oliver Cromwell. Nesse tempo, meados do século XVII, o Parlamento exercia apenas um papel de aconselhamento, não tinha poderes executivos. Com a morte do supracitado soberano -que foi julgado, condenado à morte por alta traição e decapitado em Londres, no dia 30 de Janeiro de 1649- essa câmara passou a governar o Reino, através da pessoa do 1º Ministro; exercendo o rei apenas as funções que, ainda hoje, cabem à actual soberana. A república cromwelliana durou até 1660, ano em que foi restaurada a monarquia e colocado no trono Carlos II, filho do rei executado. Os mosqueteiros bateram-se nos dois campos. Na ilustração inferior podem ver-se mais dois destes prestigiosos soldados de infantaria com as respectivas armas e apetrechos.

MARUJINHA


Betty Boop : olhos radiosos de turmalina e pose provocante... Como sempre !

TERROR NAS RAMBLAS

O terrorismo dos ultra-religiosos cometeu, ontem, nas Ramblas (a artéria mais frequentada do centro de Barcelona) mais um mortífero atentado. O oitavo do mesmo género (realizado com o auxílio de um camião, que -cobardemente- atropela descuidados transeuntes) ocorrido na Europa, desde o início deste ano. Ontem, os terroristas mataram 13 pessoas inocentes e atiraram para as camas dos hospitais da Cidade Condal um centena de feridos. É este o número (referido pelos meios de comunicação) das vítimas de tão ignóbil acto. Que só pode gerar ondas de indignação contra os mandantes e os executantes de crimes desta natureza. Gente que só pode ser doente e/ou com índices de inteligência muito abaixo das do cidadão ordinário. Mas a recrudescência destes actos insensatos, também pode ser resultado do E.I. estar 'a levar na corneta' nas regiões do Próximo-Oriente, onde pensou instaurar duravelmente o tal Califado, de onde partiria à conquista do mundo. Em função da reacção particularmente rápida da polícia catalã, parece-me que as autoridades europeias estão atentas às movimentações dos bandidos e a tentar tomar medidas que previnam estas horríveis matanças. E, embora isso se faça com alguns custos para a liberdade (individual e colectiva) dos cidadãos, convém dizer que é esse o preço a pagar para continuarmos a viver na região do mundo mais segura e mais livre do planeta; apesar das suas insuficiências, das suas injustiças. Enfim, tudo tem os seus inconvenientes... E agora há que assumi-los.

LIVRARIA BERTRAND, FUNDADA NO ANNO DE 1732

Era muito pequeno e já não me lembro muito bem da época em que, pelo mão de meu pai, entrei pela primeira vez na Livraria Bertrand. Universo, que logo me deixou maravilhado; pois sou leitor e 'consumidor' de livros desde os tempos da minha tenra infância,  quando, para saciar a minha sede de leitura (que se manifestou precocemente), não perdia um número da Colecção Tonecas... Da qual, cada exemplar custava 4 tostões. É evidente que, quando falo da Livraria Bertrand, me estou a referir ao seu estabelecimento da Rua Garrett. Daquela velhinha loja que foi fundada -por livreiros franceses- no longínquo ano de 1732. O que lhe valeu o título de uma 'das mais antigas livrarias do mundo'. O que é obra ! Ainda hoje, nas minhas raras visitas a Lisboa, não consigo vencer o instinto que me conduz certeiramente ao Chiado e me leva a franquear as portas da Bertrand. Mesmo que, devido à crise, que gera falta de dinheiro, eu não compre lá nada. Agora só olho (com uma mescla de curiosidade e inveja) as capas das maravilhas que por lá se expõem e... vendem aos ricos. Porque, como é sabido, os livros são caríssimos em Portugal e só são acessíveis a quem tem um ordenado de deputado ou uma reforma de senhor ministro. Mas, enfim, apesar disso, continuo a entrar naquele venerável edifício de esquina, como quem cumpre um ritual. Não mais, porém e para minha grande mágoa, do que uma ou duas vezes por ano...


As minhas primeiras leituras...

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

CRIME (SALVO SEJA) E CASTIGO

Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, quiçá o mais conhecido português do seu tempo, estima-se vítima de uma cabala; por causa daquela história de impostos reclamados pelo fisco espanhol e também pelo facto de ter sido, no decorrer do seu último jogo contra o F.C. Barcelona, expulso e posteriormente castigado com cinco jogos. Eu não tenho absolutamente nada contra este fabuloso futebolista funchalense, que eu creio não ter voluntariamente fugido ao pagamento de impostos (mas há aqui um assunto que ele tem de esclarecer com as finanças do país vizinho, às quais, estou certo disso, ele poderá apresentar, com calma, as suas razões), nem simulado um penalty no 'match' contra os rivais catalães. Basta ver as imagens da TV, para nos darmos conta de que não houve batota. Mas os árbitros (sejam eles espanhóis ou não) também se enganam e o «melhor jogador do mundo» não sairia diminuído se (por causa desse erro) ficasse impossibilitado de jogar contra o próximo adversário do Real Madrid. O agravamento do castigo ficou estritamente a dever-se ao facto de Cristiano se ter precipitado e ter empurrado o juiz de campo. Nessas circunstâncias, e CR7 sabe-lo, não havia maneira de safar-se ao pesado castigo infligido pela máxima instância do futebol castelhano. Acho, pois, que não foi por Cristiano «ser quem é», que agora se deve sentir injustiçado. É bom que os profissionais de futebol entendam -uma vez por todas- que as regras são para cumprir. Eu sei que um jogo de máxima tensão, como o é sempre o grande clássico da liga espanhola, arrasa os nervos de qualquer dos actores; mas eles têm de controlar os nervos ou... de assumir os erros cometidos e não se admirarem de castigos recebidos e plenamente justificados. Porque o jogo tem leis, que devem ser imperativamente cumpridas. É tudo. Isto dito, eu penso que Cristiano Ronaldo é um moço inteligente e de boa fé e que, acalmados os ânimos, ele até será capaz de reconhecer que falhou. E se o fizer, tal gesto só lhe ficará bem. Quanto ao título deste 'post', quero precisar que quis, apenas, fazer uma brincadeira com o de um romance de Dostoievski. Naturalmente !

NOS TEMPOS DA MARINHA À VELA...

A imagem de topo mostra o gigantesco veleiro «Preussen» (uma galera de 5 mastros), que pertenceu ao famoso armador alemão F. Laeisz. O tal que geria uma frota de navios, cujos nomes começavam, todos, pela letra P. A pintura que aqui representa o «Preussen» foi executada pelo artista francês Roger Chapelet (pintor oficial da marinha gaulesa), que também deixou traços da sua arte no nosso país; onde pintou, entre outros veleiros, a barca «Sagres». Visita frequente dos portos chilenos, onde ia carregar guano, o «Preussen» (que podia navegar à velocidade máxima de 18,5 nós) perdeu-se no canal da Mancha, em 1910, depois de ter sido abalroado por um navio a vapor. O veleiro germânico ainda chegou a ser socorrido por um rebocador inglês e encaminhado para o porto de Dover; mas uma violenta tempestade rompeu as amarras que ligavam as duas embarcações... Ficando à deriva, o «Preussen» foi, depois, assaltado por violenta tempestade, que lhe causou avarias irreparáveis e o afundou. A fotografia (em baixo) mostra o navio nos tempos áureos em que fazia a ligação Europa-América do Sul pela perigosa rota do cabo Horn.

O NOSSO MUNDO É BELO (131) : KIRIBATI

QUANDO OS FÓSFOROS FALAM...

Engenhoso e comovente.

CUBO COMESTÍVEL E... SAUDÁVEL

Sem palavras... Mas com muita admiração pelo criador deste cubo; que, como se pode observar, nada tem a ver com o de Rubik.

FOI HÁ 870 ANOS !

Foi na manhã do dia 15 de Março de 1147 -durante o reinado de D. Afonso Henriques e aquando das guerras da Reconquista- que os Portugueses tomaram, definitivamente, a cidade de Santarém; que se encontrava na posse dos Almorávidas. A queda dessa praça de guerra, de onde partiam frequentes ataques mouros contra Coimbra e Leiria, foi de grande importância. Para suster essas agressões sobre duas cidades importantes do Reino e porque também permitiu encarar, com optimismo, um futuro ataque dos Portugueses a Lisboa. Cuja queda acabou por ocorrer nesse mesmo ano, no memorável dia 25 de Outubro. Uma das grandes figuras da conquista de Santarém foi -segundo reza a tradição- o cavaleiro Mem Ramires; que, dias antes da investida vitoriosa dos guerreiros lusos, entrara na cidade disfarçado de mercador e ali colhera informações preciosas sobre as suas defesas e sobre o número e hábito dos seus ocupantes. Foi, pois, a partir desses dados, que os Portugueses prepararam os planos de acção que haveriam de levar à captura da actual capital do Ribatejo. Apesar da forte resistência que lhes foi oferecida. Uma estátua a el-rei D. Afonso Henriques foi erguida -em memória deste evento- no que resta do castelo da antiga Scalabis. Que, no sítio da Porta do Sol, tem uma esplêndida vista sobre o rio Tejo e sobre as lezírias da sua margem esquerda.

O PROGRESSO TECNOLÓGICO É UMA COISA ESPANTOSA. -MAS, E O RESTO ?...

Este quadrirreactor é o fabuloso Airbus A-380, o maior avião de passageiros jamais construído. O desenvolvimento deste mastodonte, pode resultar, num futuro próximo e segundo os peritos, na realização de um avião capaz de transportar à volta de 1 000 passageiros; que voarão confortavelmente a uma velocidade de 1 000 km/hora para qualquer lugar do planeta. -Quem imaginaria isto, já não digo no tempo dos pioneiros, mas há somente 50 anos atrás ? A evolução das técnicas desenvolveu-se com uma rapidez estonteante. Que o progresso social e moral das nossas sociedades não foi capaz de acompanhar... O que é lamentável e motivo de preocupação. Porque sem um mundo mais justo, muitas destas invenções só beneficiarão uma franja ínfima da população mundial.

RACISMO EXACERBADO E PRESIDENTE CONTESTADO

Depois dos incidentes ocorridos em Charlottesville (na Virgínia), entre militantes anti-racistas e as irmanadas cliques do partido nazi e do Ku-Klux-Klan, o presidente dos EUA adoptou a atitude que já se esperava dele : pôs todos no mesmo saco e deu, até em certa medida, razão aos segregacionistas destas duas organizações criminosas. Daí ter recebido uma lisonjeira carta de agradecimentos de um antigo 'boss' dos sinistros encapuzados do klan; que têm na sua História (que começou em 1865, logo após a derrota confederada na Guerra Civil) uma sucessão de crimes horríveis contra a comunidade afro-americana e contra aqueles brancos que, com coragem e dignamente, se têm batido -ao longo dos anos- pela igualdade de direitos. O que se está a passar nos 'states' e que é encorajado, da maneira que se vê, pela primeira figura do Estado, é deveras preocupante, susceptível de incendiar os ânimos e de colocar certas cidades da maior potência do mundo a ferro e fogo. Em relação a Trump, fica provado -uma vez mais- que o homem não está à altura dos problemas que, periodicamente, sacodem a América do norte. E o melhor que ele poderia fazer era demitir-se. Coisa que, como todos sabemos, ele nunca fará. Até porque conta com a solidariedade de muita gente do seu partido, que o apoia em todas as circunstâncias. Mesmo naquelas que são contra os interesses de «todos os americanos», que ele -o presidente- pretende 'governar'. Veremos o que tudo isto vai dar... Mas que estes acontecimentos não pressagiam nada de bom, não é difícil adivinhar.

FANGIO, A REFERÊNCIA

O volante argentino Juan Manuel Fangio (1911-1995) foi -durante muitas décadas- a grande referência do automobilismo de competição ao mais alto nível. O seu recorde de 5 vitórias no Campeonato do Mundo, só em 2003 seria batido pelo fenomenal (e desditoso) piloto alemão Michael Schumacher. Mas o nome de Fangio permaneceu na memória colectiva dos amantes de desportos motorizados, graças a expressões que, ainda hoje, são usadas em diferentes países e são reveladoras do seu grau de popularidade. Como, por exemplo : «tomar-se por Fangio», frase muito usada na Europa, sobretudo em França, na Bélgica, na Suíça e no Mónaco... Mónaco, principado que quis homenagear este corredor de automóveis dos anos 50 do passado século num dos seus selos de correio; que eu aqui vos mostro. Curiosidade : Juan Manuel Fangio conduziu durante toda a sua carreira desportiva (galardoada com os títulos de 'campeoníssimo' em 1951, 1954, 1955, 1956 e 1957) sem ter tirado a Carta de Condução ! Documento que só obteve em 1961, três anos depois de ter abandonado a sua invejável actividade desportiva.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

CINE-NOSTALGIA (74)

«MARIA CANDELÁRIA» («María Candelaria») é um clássico do cinema mexicano. Foi realizado, em 1943, por Emilio Fernández ('el Indio'), que também é co-autor do argumento. Teve, na interpretação dos papéis principais, excelentes actores, entre os quais se devem destacar Dolores del Río, Pedro Armendariz, Alberto Galán, Rafael Icardo Miguel Inclán e Margarita Cortés. Foi uma das películas (quiçá a primeira) que revelou o cinema mexicano para além das fronteiras do país; nomeadamente na Europa, onde esta mescla de exotismo, de emoção e de religiosidade surpreendeu muita gente e recolheu rasgados aplausos da crítica. Apresentada no Festival de Cannes, esta fita logrou arrecadar o Grande Prémio para o Melhor Filme; galardão que hoje se denomina Palma de Ouro. Refira-se, a título de curiosidade, que a vedeta feminina -Dolores del Río- já havia trabalhado em Hollywood, onde se estreou em 1926 num trabalho de Raoul Walsh, sendo, por consequência, um rosto conhecido. A história contada -um drama pungente- é a de uma bela indígena, que é alvo da perseguição feita pela população da aldeia onde vive; tal qual sua mãe, que fora acusada pelos seus conterrâneos de conduta imprópria. Enamorada de um rapaz pobre (Lorenzo), María Candelaria é perseguida pelo homem mais importante da sua aldeia, que a cobiça, mas a quem ela recusa determinantemente entregar-se. Quando ela adoece, o seu suspirante pobre comete a 'indelicadeza' de roubar quinino para lhe acalmar as dores e... um vestido de noiva. E é, por cauda desse crime de amor, encarcerado na cadeia local. Para o tirar de apuros e recolher o dinheiro que permitirá libertá-lo, María aceita servir de modelo a um pintor. E os aldeões, excitados por quem lhe quer mal, acusam-na injustamente de ter posado nua. Os ânimos aquecem ao rubro e a jovem e pura beldade -que clama a sua inocência- é apedrejada junto à prisão e expira nos braços de Lorenzo; que conseguira forçar as portas da cadeia. Esta película foi divulgada localmente por Filmes Mundiales e internacionalmente pela M. G. M.. foi filmado (por Gabriel Figueroa, outro grande nome do cinema mexicano) a preto e branco e tem uma duração de 96 minutos. Infelizmente, nunca consegui encontrar uma cópia videográfica desta obra, que já tem o seu lugar na História do cinema mexicano.

ESPLENDOROSO VELEIRO


Este magnífico veleiro é o «Mircea» da armada romena. É um dos gémeos da nossa actual «Sagres» e do «Eagle», navio-escola da Guarda Costeira dos Estados Unidos da América. A base do «Mircea» é no porto de Constanta, no mar Negro. Tive, por várias vezes, a ocasião de o admirar. E até de o visitar, por ocasião de uma das suas passagens por Rouen, quando este navio ali participou numa das regulares concentrações de veleiros organizadas nesse porto marítimo-fluvial da Normandia...

terça-feira, 15 de agosto de 2017

AS MINHAS CRÓNICAS (5)


Este texto foi publicado (em Março de 2002) no «J. do B,», com o título de «FRAGATAS DO TEJO». E corresponde à ideia que eu me fiz (para além de informação colhida em diversas fontes) desses barcos de trabalho (à vela), que eu ainda conheci -em grande número e em plena actividade- no estuário do maior rio peninsular. Algumas pequenas modificações do texto foram necessárias, para o actualizar.

FRAGATAS DO TEJO

Em meados da década de 60 (do século XX, obviamente) eram ainda cerca de mil as fragatas do Tejo, que navegavam nesse mar interior a que se assemelha o maior dos nossos rios. Essa navegação fluvial fazia-se, geralmente, entre as diferentes terras da borda d'água e a capital, para onde as activas fragatas levavam areia, cereais, tijolos, cimento, cortiça e muitas outras mercadorias necessárias à indústria e comércio locais. E de onde traziam, para diferentes localidades da beira rio, diferentes outros produtos.
As fragatas de maior porte podiam deslocar mais de 100 toneladas e medir uns 25 metros de comprimento. Barcos de casco robusto e artisticamente decorado (sobretudo à entrada das duas câmaras), as fragatas do Tejo estavam equipadas com um único mastro (inclinado para a ré), que envergava um grande vela de carangueja e um ou dois panos de proa. As fragatas eram, geralmente, tripuladas por 4 homens (o arrais, o camarada e 2 moços), que, para além de assegurarem a navegação das ditas embarcações, se transformavam -no início e no término de cada viagem- em esforçados carregadores e descarregadores de mercadorias.
-Quem não se lembra de ver os fragateiros nos cais do Barreiro, do Seixal, de Alhos Vedros, da Moita e de tantas outras localidades ribeirinhas -vergados sob o peso de enormes fardos- correndo (na execução de verdadeiros números de equilibristas) sobre compridas e flexíveis pranchas ?
A lida dos fragateiros era de tal modo violenta, que exigia a ingestão de copiosas refeições. Eu lembro-me, por exemplo, de ver, quando era gaiato, um desses valentes e rijos trabalhadores, natural da já citada vila de Alhos Vedros e grande amigo da minha família, 'atacar' descomplexadamente, almoços que podiam compor-se de 1 kg de bacalhau (produto alimentar relativamente barato em meados do século transacto), de 5 kg de batatas e de 1 litro de vinho tinto. Ou de o ver optar, em substituição do 'fiel amigo', por uma caldeirada (pescada e primorasamente cozinhada pelo próprio) que, em circunstâncias normais, daria para 3 ou 4 pessoas. Simplesmente impressionante ! Mas assim o exigia o organismo de gente que, para ganhar a vida, não hesitava 'atirar-se' a volumosos fardos de cortiça que chegavam a pesar a 'bagatela' de 100 kg !
Diz-se que a típica fragata do Tejo apareceu no curso inferior do rio há já muitos séculos. Há até peritos na matéria que pretendem e afirmam que o seu antepassado mais longínquo era uma embarcação da Idade Média, cuja configuração não seria muito diferente da daqueles barcos que os camarros da minha geração ainda chegaram a conhecer às centenas e em plena actividade. Muitas dessas embarcações foram construídas no Barreiro, no tempo em que então vila dispunha de uma indústria naval na sua vasta zona ribeirinha. Armando da Silva Pais refere (em «O Barreiro Antigo e Moderno») a existência de estaleiros, onde foram realizados alguns desses barcos, nomeadamente em Alburrica, no esteiro que banha também a actual rua Miguel Pais e em vários outros sítios da terra.
A fragata do Tejo rebocava, quase sempre, uma pequena lancha -a catraia- que servia para facilitar as manobras de atracação e, essencialmente, para rebocar o barco-mãe quando se fazia notar a falta de vento. Nessas condições, um membro da tripulação tomava nela lugar e, à força de braços e de remos, tentava safar a fragata da indesejável e prejudicial calmaria.
Depois de, no rio Tejo de finais dos anos 60 (como já acima referi), as fragatas terem cedido o seu histórico lugar a unidades motorizadas, algumas delas ainda foram desguarnecidas de mastros e velas e transformadas em banais batelões. Que acabaram, todavia, por desaparecer, também eles, das águas do estuário, vítimas da modernidade. Eu ainda assisti, com sentida mágoa, confesso, ao fim inglório dessas úteis embarcações, vendo apodrecer os seus cascos no lodo dos esteiros do grande rio. Hoje, pouca coisa resta delas. Tive, no entanto, a ocasião de ver algumas dessas nossas velhinhas fragatas atracadas em portos algarvios. Passavelmente modificadas -já que transformadas em barcos de recreio- e ostentando bandeiras estrangeiras. Holandesas, sobretudo. De realçar é o facto de alguns municípios de localidades estuarinas terem tido sensibilidade para recuperar e restaurar algumas fragatas e varinos (este último é da família das fragatas, mas mais pequeno e com características algo diferentes no que respeita o casco), como foi o caso das Câmaras do Barreiro, da Moita, do Seixal, de Vila Franca de Xira, etc., que permitiram salvar alguns desses barcos à vela e transmitir às gerações vindouras esse património. Que faz da memória colectiva dessas comunidades.

(M. M. S.)

BEBER OU CONDUZIR, UMA QUESTÃO DE CIVISMO E... DE VIDA OU DE MORTE

Segundo notícias divulgadas nos jornais de hoje, parece que uma parte não-negligenciável dos automobilistas do nosso país continua a beber e a conduzir. Inaceitável fenómeno, que fez disparar, no passado ano, o número das vítimas mortais de acidentes rodoviários em Portugal. Parece que nas autópsias praticadas nos condutores que provocaram acidentes dessa natureza (e que pereceram em consequência deles), se chegou à conclusão de que 1/5 desses automobilistas acusava uma taxa de alcoolemia equivalente ou superior àquela que é punível por lei. Que é por cá -como todos sabem ou deveriam saber- de 0,05 gr/l. Os Portugueses estão -a fazer fé em dados fornecidos pela Organização  Mundial de Saúde- entre os 10 maiores consumidores de álcool do mundo e, no nosso continente, só são suplantados por povos do leste da Europa. Uma posição que, naturalmente, não nos enche de orgulho... E quanto mais cedo nos mentalizarmos que há uma escolha vital a fazer entre beber e/ou conduzir, melhor será para todos. Porque se trata de uma questão de civilização e nós não queremos ser assimilados a bárbaros e a irresponsáveis.

O ESCÂNDALO CONTINUA...

Dia após dia, semana após semana, mês após mês, os incêndios continuam a devorar a floresta portugueses; mas não só, pois -como é sabido- já houve dezenas de mortes causadas pelos fogos e aldeias inteiras foram ameaçadas de serem reduzidas a pó por um flagelo que, ciclicamente, se abate sobre nós. Ontem, a minha aldeia e os campos próximos estiveram parte do dia mergulhados numa impressionante nuvem de fumo (talvez proveniente dos incêndios que lavram em Vila de Rei) e sobre ela continua a abater-se uma chuva de partículas de cinza, que mal se vê, mas que se insinua por todo o lado; inclusivamente para dentro de automóveis que permanecem fechados. Enfim, o regabofe continua... E já ganhou tal dimensão, que constitui falatório em telejornais de TV's estrangeiras. Posso afirmá-lo porque já vi e ouvi tais noticiários. E, pelo que se pode observar, parece não haver solução à vista. E a pergunta que todos os Portugueses fazem é a seguinte : -Quando terminará este inferno ? A pergunta continua sem resposta; e, sobretudo, sem uma política de contenção definida; política que nos garanta a tomada de medidas que, em Verões próximos, sejam susceptíveis de acabar com o escândalo e com o drama vividos e sofridos pelas populações rurais da nossa terra. Basta !

FUTEBOL CASEIRO : AS LIÇÕES DA SEGUNDA JORNADA

Com o fecho, ontem, da 2ª jornada do campeonato da 1ª Liga de Futebol, pudemos observar que os chamados 'clubes grandes' (e putativos candidatos ao título de campeão nacional) tiveram enormes dificuldades em impor-se, ganhando aos seus adversários pela margem mínima e, para dois deles, nos minutos finais dos jogos disputados. -Significa isto que há mais qualidade no futebol que, ao mais alto nível, se pratica em Portugal ? Estou convencido que sim. Como estou convencido, de que qualquer dos clubes que se mantêm no cimo da tabela acabarão, nas próximas jornadas, por sucumbir à pressão das ditas 'equipas menores'. Que têm bons jogadores e que contam com o saber de técnicos inconformados e altamente competentes. Acho que isto -para além de constituir um alerta para os 'vencedores antecipados'- é muito bom e interessante para a progressão do campeonato. Que, tornando-se menos previsível, acaba por ser mais atractivo. Acho, por outro lado, que a introdução do video-árbitro constitui uma melhoria nos jogos, pois não atrasa de maneira significativa o desenrolar dos 'matchs' e que interfere com mais justiça no resultado final. Apesar de torcer pelo Benfica, devo dizer que gosto disto. Porque, no fundo, o que me interessa é o jogo pelo jogo. É o futebol pelo futebol.

O NOSSO MUNDO É BELO (130 : UZBEQUISTÃO

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

HOSPITALIDADE


Não me canso de referir aqui, que a filatelis é um nundo de permanente fascínio. E eu nem sequer sou coleccionador... Abordando temáticas diversificadas, este passatempo já demonstrou ser também um vector de cultura, que abrange todas as áreas do saber : Artes, Ciências e Técnicas, Geografia, História, Fauna e Flora, Etnografia, Costumes, etc. O selo que agora aqui vos deixo, refere uma 'arte' que, infelizmente, se está a perder nas nossas nações ditas 'civilizadas'. A arte de bem receber, a arte da hospitalidade. Emitida pela administração postal russa, esta estampilha mostra-nos uma senhora em traje tradicional, recebendo -à entrada de sua casa- os convidados esperados. E que são recebidos, como mandam as regras locais, com o pão e o sal. Sinal inequívoco de boas vindas. Bonito !